Morre Benedito Nunes, um expoente das artes visuais mato-grossense

Artista é mais um dos grandes artistas revelados na década de 1980

Benedito Nunes durante processo criativo de exposição que exibiu obras feitas a partir da ressignificação das latas (Rildo Amorim)

Um dos mais importantes nomes do realismo mato-grossense, o artista plástico Benedito Nunes morreu aos 64 anos nesta segunda-feira (22), no Hospital do Câncer, em Cuiabá. Há três anos ele lutava contra a doença, mas não resistiu, vítima de uma parada cardíaca.

Desde 1978, quando ingressou no Ateliê Livre da UFMT, ocupava-se a enfocar em suas obras a vida urbana e periférica da cidade. Mas as paisagens do Cerrado também foram multiplicadas em suas criações.

Obra mistura os dois assuntos: Cidade-Cerrado é de 2014

Amiga e admiradora, a artista Vitória Basaia lamentou a morte de Nunes.

“Era um querido. Além de ser um grande artista era um ser humano ímpar. E também, um grande mestre. Percorreu nosso Estado multiplicando conhecimento com oficinas de arte”. Como arte educador, atuou também no Ateliê da UFMT, entre os anos de 1984 e 1987. Recentemente ministrava cursos na Casa Cuiabana e Sesc Arsenal.

Gervane de Paula destacou que além de ativista, Nunes sustentava a família – mulher e três filhas – com sua arte. “Nunes foi um batalhador da arte. Sustentou a família com sue próprio trabalho. Isso, em uma praça que não é tao boa para aqueles que decidiram ser artistas em Cuiabá”.

Ele também defendeu que o nome do amigo perdure pela história da cultura mato-grossense. “É uma perda irreparável e ele merece ser promovido e estudado para que não só os artistas, mas toda a população, possa compreender melhor a importância de sua arte”.

Rigoroso com o trabalho

O curador de arte Willian Gama também está bastante emocionado com a partida do amigo e parceiro de trabalho. Ele acompanhou Benedito nas últimas empreitadas do artista de origem humilde que inscreveu seu nome na galeira dos mais representativos profissionais de Mato Grosso.

“Era uma pessoa extraordinária. Além de um artista talentoso, um ser humano dócil e amável. Era fácil trabalhar com ele, pois era um artista disciplinado e rigoroso com seus prazos. Não media esforços para isso”.

Ao lado da irmã Amanda Gama, Willian o acompanhou em dois momentos importantes e recentes. “Tive a felicidade de auxiliá-lo em sua participação no Prêmio Pipa e de realizar a curadoria e expografia da exposição Orifício, que percorreu cidades da Amazônia Legal, pelo Sesc Amazônia das Artes.

Para o artista cuiabano Benedito Nunes, pintar era um ritual, era um ato sagrado (Rildo Amorim)

Em sua página no Facebook, ao divulgar suas criações para a mostra, declarou: “Dá saudade. Cada obra que foi criada dia após dia tomou seu rumo para dar lugar novas criações, um presente para quem viu e para quem também adquiriu”.

Ele enfatizou que o momento era muito especial: “É o momento do encontro entre eu e Deus”.

Funeral e sepultamento

O corpo será velado na sala Hortência, Capela Jardins a partir da 1h30 desta terça-feira (3). O sepultamento será às 15h, no Cemitério da Piedade, centro da Capital.

Amigos realizam uma campanha para cobrir as despesas com velório e sepultamento.

Se puder ajudar com qualquer valor, a conta para transferência ou depósito é da mulher dele, Marina Martins: Caixa Econômica, agência 2295 operação 013, conta poupança 8774-5 / CPF 786 045 671-00.

Nascido em Cuiabá, em 10 de outubro de 1956, completaria 65 anos neste ano. Estava se preparando para celebrar 50 anos de carreira, segundo Willian Gama.

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