Morre aos 92 anos freira que batizava bebês secretamente em período de perseguição comunista

A religiosa também levava a Eucaristia aos enfermos durante o regime ditatorial na região

Irmã Marije Kaleta na Catedral de São Paulo, em Tirana, em 21 de setembro de 2014 (Fonte: Informa Paraíba)

A freira albanesa Marije Kaleta, responsável por batizar bebês secretamente durante o comunismo em seu país natal, morreu aos 92 anos em 2 de janeiro. De acordo com a ACI Digital, a religiosa da Congregação das Irmãs Estigmatinas também levava a Eucaristia aos enfermos durante o mesmo regime ditatorial na região.

Segundo essa fonte, a Albânia viveu sob os males comunistas de 1940 a 1992. Kaleta atuava heroicamente durante a ditadura de Enver Hoxha, cujo governo martirizou católicos e destruiu igrejas. O objetivo era criar um estado ateu, desejo comum aos comunistas.

Encontro com o Papa: os atos de Kaleta

A ACI Digital relembra o encontro da freira com o Papa Francisco em 2014, na Catedral de São Paulo, em Tirana, capital da Albânia. Na ocasião, ela relatou ao Sumo Pontífice como batizava os bebês naquele período sombrio.

“Batizei não só as crianças das aldeias, mas também todos aqueles que vinham à minha procura”, disse Kaleta ao Papa.

Certa vez, enquanto voltava para casa, ouviu uma voz atrás dela. “Era uma mulher que vinha correndo com um bebê em seus braços. Ela me pediu para batizar sua filhinha”, contou.

A mãe, porém, era esposa de um comunista. Isso causou medo na irmã Estigmatina. “Disse-lhe que não tinha com o que batizar, pois estávamos numa estrada, mas ela demonstrou tanto desejo que me falou sobre a existência de um canal com água nas proximidades”, revelou Kaleta.

Quatro anos depois do encontro com o Papa Francisco, ele a citou como “um belo exemplo da Igreja como mãe”.

A vida de Marije Kaleta

Ainda segundo a ACI Digital, Marije Kaleta nasceu em 10 de novembro de 1929, num assentamento chamado Nënshat, localizado no norte da Albânia.

O chamado para a vida religiosa chegou cedo. “Tive a graça de me tornar religiosa”, afirmou a freira. Seu tio sacerdote a ajudou a discernir sua vocação nas Irmãs Estigmatinas.

Kaleta entrou no convento na década de 1940, durante o regime comunista. Por esse motivo, teve que esperar quase 50 anos antes de fazer seus votos perpétuos, em 1991, quando o período de perseguições chegava ao fim.

Essas e outras adversidades foram causadas pela ditadura comunista. Sete anos após ingressar no convento, o governo obrigou a freira a voltar para a casa de seus pais. Teve que viver sozinha após a morte de seus progenitores, aprendendo “a manter viva a fé no coração dos fiéis, ainda que em segredo”.

A proximidade que mantinha com alguns sacerdotes permitiu que ela tivesse, em sua própria casa, o Santíssimo Sacramento, Corpo vivo de Jesus Cristo. Desta forma, ela podia levar a Eucaristia aos doentes e moribundos.

“Ainda hoje, quando olho para trás, parece inacreditável que pudemos suportar tantos sofrimentos terríveis”, relembrou Kaleta. “Sei que Deus nos deu forças, paciência e esperança”.

E, mesmo após toda as dificuldades vividas, ela acrescenta: “Deus deu força para aqueles que Ele chamara. De fato, Ele me recompensou todo o sofrimento vivido, já aqui na terra”.

Irmã Marije Kaleta morreu em 2 de janeiro de 2022 no convento de Shkodër, norte da Albânia.

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