Mesmo com obra paralisada, Rodoanel impulsiona construção civil em Cuiabá

Projetada para contornar a cidade, a via já está cerca de condomínios residenciais

(Foto: Gcom-MT)

A região Sul de Cuiabá borbulha de lançamentos imobiliários e o motivo é uma obra pública paralisada há 10 anos e sempre com promessa de ser retomada: o Rodoanel.

A construção da Avenida das Torres foi o primeiro impulso para o desenvolvimento da região. Condomínios surgiram e o comércio cresceu com a via que tornou o acesso a outro pontos da cidade mais fácil.

No caso do Rodoanel, a proposta era diferente. Ele deveria passar por fora de Cuiabá, desviando o tráfego de veículos pesados de áreas movimentadas e residenciais. A demora na sua construção, entretanto, mudou o cenário.

No bairro Osmar Cabral, em frente ao local de trabalho do corretor de imóveis Marcos Ocampos, uma placa anuncia a venda de 100% dos imóveis residenciais de um dos vários empreendimentos em construção na região.

Empreendimentos imobiliários crescem sob a promessa do Rodoanel (Foto: O LIVRE)

E o corretor confirma: a promessa do Rodoanel é o principal argumento para convencer o cliente.

“Será mais uma saída para não ficamos dependentes da Avenida Fernando Correa e da Avenida das Torres, que já estão congestionadas”, ele diz, confiante de que a obra de mobilidade urbana um dia sairá do papel.

Uma confiança, entretanto, que não é compartilhada por quem já mora por ali. Dona Benedita Paixão, moradora do Residencial Nico Baracat I, diz que já ouviu falar da retomada, mas está descrente.

Benedita Paixão, moradora do Residencial Nico Baracat I (Foto: O LIVRE)

“Lembro de Wilson Santos (PSDB) falando sobre esse Rodoanel há uns 10 anos, quando ele ainda era prefeito”, ela fala sobre o hoje deputado estadual. “Levando em conta o tempo de cinco anos que passei aguardando pela construção da minha casa, vai uns 15 anos até a construção desse Rodoanel”, ela comparou.

Dona Benedita diz que só mantém a esperança por uma razão: as eleições. “Ano que vem começa a folia, é a eleição de prefeito. Em 2022, vem a eleição de governador. Vamos ver o que acontece”.

Adenil Câmera, moradora do Osmar Cabral, divide o mesmo sentimento. “Para esperar, a gente tem que deitar e tomar um refrigerante, para ter paciência”.

Entre os moradores, além da prometida facilidade para deslocamento, a obra do Rodoanel é aguardada com a esperança de que leve infraestrutura para a região. “Onde eu moro nem asfalto tem, mas tô sabendo que já há um projeto”, diz Adilson Silva que, reconhece: sequer sabe ao certo por onde o Rodoanel vai passar.

10 anos de idas e vindas

A construção do Rodoanel teve início com a Prefeitura de Cuiabá, mas acabou paralisada por decisão da Justiça. O governo do Estado assumiu a responsabilidade e fez um novo projeto.

A previsão é que o trecho que já existe seja duplicado, o que junto com o restante da obra vai custar cerca de R$ 500 milhões, pagos pelo governo federal.

No Estado, o posicionamento é que mais informações que isso só devem se tornar públicas depois que o edital da licitação já estiver lançado.

Trecho do Rodoanel registrado pelo governo do Estado em 2016 (Foto: Meneguini/Gcom-MT)

Em 2013, parte do trecho do Rodoanel que passa por Várzea Grande chegou a ser licitado pelo Estado. Irregularidades, entretanto, fizeram o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) bloquear os recursos. Em 2015, foi a vez do Tribunal de Contas da União (TCU) identificar falhas e até sobrepreço.

Superadas essas dificuldades, a previsão era de que a obra do Rodoanel fosse retomada em 2018, no dia do aniversário de Cuiabá. Mas a falta de licenciamento atrasou o lançamento do edital novamente.

Na época, foi constatada a existência de um sítio arqueológico em um trecho, em Várzea Grande. Vestígios de cerâmica indígena não podiam ser destruídos pela obra antes de uma análise.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) só emitiu a liberação para a construção no começo de julho deste ano. Agora, a expectativa é que o edital seja lançado nos próximos meses.

Como será o Rodoanel?

Segundo o governo, o traçado previsto para o Contorno Norte Cuiabá-Várzea Grande tem uma extensão de 52 quilômetros de pista duplicada, sendo 41 quilômetros na Capital e outros 11 quilômetros na cidade vizinha.

Após sua conclusão, o complexo vai ligar a região do Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, até o Distrito Industrial de Cuiabá, passando pela Avenida do CPA, Estrada da Guia (MT-010), rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) e chegando à BR-364.

Em todos esses cruzamentos está prevista a construção de viadutos.

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