Mesmo com ajuda de Nadaf, Alan Malouf diz que nunca recebeu os R$ 650 mil pela festa da posse de Taques

Delator disse que Pedro Taques pediu festa e incumbiu primo de pagar, mas pagamento nunca foi feito

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O empresário Alan Malouf afirmou, em sua delação premiada, que organizou uma festa para a posse do governador Pedro Taques (PSDB), em 1º de janeiro de 2015, ao custo de R$ 650 mil, no Centro de Eventos do Pantanal, por meio do seu buffet, Leila Malouf.

O delator relatou que, em uma reunião na casa de Pedro Taques, em dezembro de 2014, o governador eleito lhe pediu que  fizesse uma festa de posse para 2500 pessoas. O empresário apresentou o custo de R$ 650 mil, pois o buffet ficaria responsável pelo pagamento das empresas terceirizadas, como decoradores, cerimonial, garçons.

O pagamento deveria ter sido efetuado pelo primo do governador, Paulo Zamar Taques, mas não foi pago até hoje. Em depoimento, Malouf disse que o também delator Pedro Nadaf garantiu que Malouf receberia por meio da empresa Kamil Eventos, mas Paulo não pagou sob o argumento de que essa empresa era investigada.

Malouf disse que Nadaf já o havia ajudado a receber a dívida da festa de posse de Silval Barbosa, em 1º de janeiro de 2011, no valor de R$ 1,5 milhão. A negociação foi alvo da Operação Sodoma.

Pedro Nadaf foi secretário-chefe da Casa Civil no governo de Silval Barbosa. Segundo Malouf, ainda na época da campanha, Nadaf demonstrou interesse em conseguir doadores para Taques. Desse modo, ele apresentou  a Malouf o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalooleiras (Sindálcool), Piero Vicenzi Parini.

Segundo o delator, Piero lhe entregou R$ 1 milhão em vários cheques, de várias pessoas. Parte foi compensada e parte não, num total de R$ 550 mil efetivamente doados para o caixa dois e “destinados para pagar despesas por fora da campanha”.

Delação de Malouf

A delação tem 20 anexos que relatam um esquema que teria alimentado caixa dois na campanha de Pedro Taques em 2014. Alan Malouf ofereceu acordo de delação premiada, em dezembro de 2016, na Operação Rêmora.

A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em maio de 2016, e desmantelou um esquema de fraudes em licitações de obras de escolas em Mato Grosso. O esquema foi montado na gestão de Permínio Pinto (PSDB) como secretário de Estado de Educação (Seduc), no primeiro ano do governo Taques.

A delação foi homologada em abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o sigilo foi retirado nesta sexta-feira (19) pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Outro lado

Em nota, o governador Pedro Taques negou que tenha havido “caixa 2” na campanha eleitoral de 2014, ou que tenha autorizado vantagens indevidas a qualquer empresa durante o exercício do mandato.

“Apesar de citado por delator em acordo de delação premiada, Taques não é réu no processo da chamada ‘operação Rêmora’ e terá direito a ampla defesa nos autos. O governador já constituiu advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça”, diz a nota.

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