Mercado do Porto: feirantes são remanejados e reclamam do transtorno da obra

Mercado do Porto é parada obrigatória para moradores e turistas e recebe cerca de 4 mil pessoas por dia

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Desde o lançamento das obras, em dezembro, muita coisa mudou na organização do Mercado do Porto, um dos mais tradicionais de Cuiabá. Lanchonetes e restaurantes foram transferidos para área do estacionamento e instalados em contêineres de forma improvisada. E o terreno onde antes estavam, hoje se resume a uma área de terra batida.

O canteiro nem de longe parece de um empreendimento que vai custar mais de R$ 9 milhões. O LIVRE esteve no local na manhã do dia 11 – início da semana passada – e constatou que apenas três funcionários da empresa contratada para a obra estavam por lá.

E a morosidade na reforma e construção de novos espaços preocupa os comerciantes.

Fregueses abandonam a feira por conta da falta de estacionamento desde dezembro (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O espaço onde antes estavam os feirantes, bem como o estacionamento – que suportava  mais de 50 veículos – foram totalmente demolidos. Ao redor, foi construída uma cerca de madeirite, com objetivo de garantir a segurança do local onde aconteceria a obra.

O feirante João Santana Correa diz estar preocupado com a situação. A ausência de espaço para parar os carros está prejudicando as vendas. Nos finais de semana, quando os ganhos eram maiores, houve uma redução de 50% no número de fregueses, de acordo com ele.

Ele relata ainda que todos os comerciantes acompanham diariamente a movimentação e nada foi feito desde então.

João Santana diz que clientes não querem deixar o carro do lado de fora porque é perigoso (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Foi tudo revirado antes do Natal e ninguém vê o progresso. Todo mundo entende, quer as melhorias e sabe que causam transtorno. O problema é que, pelo jeito, o transtorno será por muito tempo”, afirma.

João trabalha na feira há 40 anos e foi um dos permissionários que veio do antigo mercado, onde hoje é o Museu do Rio.

“Naquela época, demorou também, mas como estávamos em outro ponto, nem vimos a reformar acontecer. Desta vez, estamos no local da reforma”.

Esperanças

Isaías Ferreira da Silva tem um restaurante e foi transferido para um dos contêineres da entrada. Ele afirma que, até agora, teve benefícios porque passou a ficar mais na frente do mercado e pode ampliar a clientela.

“Alguns clientes nem sabiam que existiam restaurantes no fundo. Então, a mudança trouxe mais visibilidade e ainda não tive prejuízos financeiros. Mas é tudo improvisado e uma hora teremos que ir para o destino correto”, avalia.

Isaías Ferreira é taxativo ao avaliar a obra como sequer iniciada. (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Segundo Isaías, os projetos que foram apresentados pela Prefeitura de Cuiabá são muito bonitos, porém, ele já não sabe o que será concluído e o que será descartado.

“A verdade é que não fizeram nada em quatro meses. E acho que a eleição será o menor dos problemas para o desenvolvimento da obra”, declara.

O projeto

No piso térreo, as barracas de frutas, verduras e peixes. Já no mezanino, uma espécie de circuito gastronômico. Assim, será o novo Mercado do Porto em Cuiabá.

A construção foi inspirada no modelo do Mercado Municipal de São Paulo e terá uma parte construída e outra repaginada.

Secretário de Obras Públicas, Vanderlúcio Rodrigues explica que a parte onde eram os restaurantes será feita do zero e a estrutura será unida a antiga, após esta estar readequada.

“Não haverá como identificar as duas etapas após concluído o trabalho”.

Conforme Rodrigues, o dinheiro para obra vem do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que entrará no convênio com 90% da obra, enquanto a prefeitura investirá os 10% restantes.

De acordo com as medições (avaliações do que foi feito), as parcelas são pagas, respeitando as porcentagens estabelecidas. A primeira transferência, garante o secretário, será no dia 28 deste mês.

Na primeira etapa, estão os custos da área demolida, da rede de esgoto e água do empreendimento, bem como aterro.

A previsão de gastos é R$ 2,5 milhões com a reforma da parte antiga e R$ 8,8 com a construção da nova área. Já o prazo estimado de entrega é final do ano.

“Não acreditamos que haverá atraso, nem mesmo por conta da eleição, uma vez que a maior parte da obra é financiada pelo governo federal”.

Estacionamento

Com relação ao estacionamento, Vanderlúcio disse que o transtorno é passageiro e que com a reforma, existe a expectativa de se construir uma área para a parada de veículos onde funcionava o antigo campo do bode.

A área é privada, porém a prefeitura está em negociação com o proprietário.

Local onde era o antigo Campo do Bode está em negociação para se tornar um novo estacionamento. (Foto: Ednilson Aguiar)

Sobre o atraso

A Prefeitura de Cuiabá informou por meio de nota que o cronograma da obra está sendo seguido.

“Em relação ao andamento da obra no Marcado do Porto, a Prefeitura de Cuiabá informa que:

– Conforme o cronograma de acompanhamento da Secretaria de Obras Públicas, o trabalho ainda se encontra na fase inicial.

– A previsão é que a obra seja completamente concluída no segundo semestre deste ano.

– Reforça que a intervenção no local está dividida em duas etapas, sendo uma de revitalização e outra de ampliação.”

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2 COMENTÁRIOS

  1. Piada pronta! A cada ano que passa do dia de apresentação da proposta a empreiteira tem direito ao reajuste financeiro. Então, esquece pressa da empresa. Essa e outras obras da Prefeitura – como o viaduto da Ave das Torres e Beira Rio – estão atrasadas e ficarão igual as obras da copa se os órgãos de controle e população “não pegar no pé” da prefeitura! Se tem verba federal é melhor, quem sabe CGU e TCU fazem alguma coisa.

  2. Projeto? Qual projeto? A da fachada, apenas? A imprensa cuiabana abriu mão de solicitar isto ainda em 2019 ao prefeito. Quem é o responsável por este projeto? Quem é o arquiteto responsável? Tem registro no CAU? Obras públicas em Cuiabá nunca têm assinatura de arquiteto, e com o silêncio eterno do órgão profissional (in)competente. Projeto com base no Mercado de São Paulo. Mas São Paulo é fria. Por onde vai passar ventilação nessa estrutura? Um desastre funcional e visual esse caixotão. Embora seja cuiabano, o atual prefeito tem tido péssimos assessores e secretários. O que estão fazendo com Cuiabá é um ataque (ver Praça do Chopão, um ridículo total). Já bastou a tragédia horrível da reforma da Praça da Mandioca e da escadaria do Centro Velho. Esta feira vai ter ar condicionado central? O projeto sequer foi apresentado à sociedade, e muito mal apresentado aos próprios feirantes. De qualquer maneira, o que precisa mudar nessa feira é que ela deve servir à agricultura familiar de Cuiabá e Várzea Grande, incluindo municípios da Baixada Cuiabana. O que se vê são comerciantes vendendo queijo trazido de Minas Gerais, doces de Goiás, farinha do Paraná. Nada de bairrismo, mas a feira municipal deve ter esta finalidade local e regional, para produtores locais (feira de produtores, e não de comerciantes). Completamente equivocado ceder boxes para comerciantes que nada produzem e apenas trazem produtos de outros estados. Para isto existem as mercearias e supermercados, que cada um pode criar o seu, independente de feira municipal.

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