Menos cadernos e mais computadores: papelarias estão com os dias contados

Ensino remoto acelerou tendência que nasceu com a tecnologia. E esse não foi o único setor afetado: uniformes escolares estão encalhado há um ano

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Nem parece que é início de ano letivo nas papelarias. Para quem estava acostumado a ver pela televisão imagens de pais em busca de orçamentos e melhores preços, vai se surpreender quando for às ruas.

O pouco movimento já era esperado por muitos empresários, porém, não de forma tão instantânea, como aconteceu por conta da pandemia e da necessidade de se adotar o ensino remoto.

Assan Salim é um dos sócios da tradicional papelaria cuiabana Rodarte e conta que, há muito tempo, já tem visualizado as mudanças de comportamento do mercado. Desde então, vem diversificando os setores de atuação para não depender prioritariamente do material escolar para se manter.

Hoje, ele fortaleceu a atuação no setor de móveis para escritórios e insumos para informática, contudo mantém a diversidade dos itens de papelaria.

Lápis, canetas e cadernos foram substituídos pelos computadores, tablets e até celulares (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Eu percebo que os demais empresários também estão variando o mix e unem papelaria com materiais para artesanato, armarinho, decoração, entre outros”, avalia.

Na opinião dele, o volume maior de materiais vendidos é para crianças do ensino básico. Quando elas chegam no 5º ano, a redução é significativa. Para as séries do ensino médio e superior, a demanda é ainda menor.

Cadernos, lápis e borrachas foram substituídos por notebooks, tablets e celulares. Muitas vezes, nem mesmo um bloco de anotações se faz necessário aos alunos que incorporaram as ferramentas tecnológicas.

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Paralelo a isso, tem o fato de que os pais vão querer aproveitar ao máximo os produtos que não foram utilizados no ano passado, já que sequer sabem se os filhos voltarão para as aulas presenciais ou não este ano.

Outro ponto abordado por Salim, foi a competição com os supermercados e lojas de departamento, que acabam oferecendo em sessões específicas os materiais escolares e, assim, abocanham mais uma fatia do mercado.

Na opinião do empresário, ficarão no mercado apenas os que conseguirem ter sucesso com a diversificação dos serviços ou que atuam com um produto muito especializado.

Uniformes nas prateleiras

E não são só as papelarias. Os uniformes fabricados para atender os alunos no ano passado ainda estão nas prateleiras das lojas. A expectativa do setor é que com a possibilidade de ensino híbrido, eles desencalhem.

Presidente do sindicato das Indústrias de Confecções de Mato Grosso, Claudio Vilela diz que a mudança das aulas para o sistema remoto causou impacto em algumas empresas, mas não todas.

(Foto: Assessoria / Governo de MT)

As que já diversificavam seus clientes, atendendo o setor de construção civil, transporte, bem como outros segmentos, foram menos afetadas.

Contudo, os prejuízos absorvidos no ano anterior podem ser revertidos com o retorno dos alunos à escola. Isso porque, as empresas trabalham em três modalidades.

Uma delas é com a venda direta para os estabelecimentos de ensino, que assumem a comercialização. A segunda opção é a preferida pelas unidade públicas, a consignação. Neste acordo, a empresa entrega, recebe o que foi vendido e fica com o que não teve saída.

A terceira e mais comum é um acordo entre as partes, na qual a empresa assume todos os custos da produção e também a venda, que é feita pela própria loja de uniformes.

Esse modelo é o adotado pela maioria das escolas particulares de grande porte. Sendo assim, quem produziu no ano passado, está com o material no estoque.

Menos trabalhadores

Vilela explica que quem sobreviveu no mercado passou por ajustes na gestão. O primeiro deles foi o enxugamento do quadro de funcionário, bem como a renegociação de contratos.

O outro foi a terceirização dos serviços para empresas menores, sendo que muitas delas tiveram a demanda reduzida durante a volta às aulas por conta do cenário de pandemia.

(Foto: Cottonbro / Pexels)

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