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Mato Grosso

Mendes diz que precisa de dois anos para recuperar rombo da gestão Taques

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Laíse Lucatelli

Ao lançar sua pré-candidatura a governador, Mauro Mendes (DEM) teceu duras críticas ao governo do ex-aliado Pedro Taques (PSDB) e projetou que levará, se for eleito, dois anos para recuperar o Estado dos problemas financeiros causados pela gestão atual. Segundo Mendes, o tucano deve encerrar o mandato, no fim deste ano, com uma dívida bilionária, maior do que recebeu do antecessor Silval Barbosa (ex-MDB).

“O grande desafio não será a eleição, mas um governo que padece de condições mínimas para prestar serviço decente aos cidadãos. Está inadimplente com a imprensa, com fornecedores, com a Saúde, com os Poderes, com a Defensoria Pública. Atualmente, são R$ 3,6 bilhões em restos a pagar e esse valor deve chegar a R$ 4 bilhões no fim do ano. Quatro anos atrás, eram cerca de R$ 800 milhões”, disse Mendes, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (24), no Hotel Holiday Inn, em Cuiabá.

Segundo Mendes, Mato Grosso acumula entre R$ 120 milhões e R$ 140 milhões de déficit todos os meses. “Não adianta culpar a crise. Ao contrário dos outros Estados, em Mato Grosso, a arrecadação nunca caiu. Mas não há dinheiro que dê quando você gasta mal”, afirmou.

“A arrecadação do mês do Estado não paga as contas do mês. Primeiro teremos que fazer o esforço de reduzir a máquina para, só depois, se necessário, pedir esforço ao cidadão. Todo esse trabalho de equilíbrio vai demorar pelo menos dois anos”, previu. “Temos que dar exemplo para cobrar que outros o façam. Não dá mais para o governador ficar andando de jatinho e gastar R$ 70 milhões enquanto falta dinheiro para pagar UTI em Mato Grosso”, disse.

O pré-candidato conclamou os servidores e os Poderes a ajudá-lo na tarefa de recuperar as finanças. “Tive uma boa relação com os servidores na minha gestão, graças à equipe de secretários que montei, com baixíssima rotatividade”, declarou, alfinetando Taques. “Não será uma missão fácil. Não existe salvador da pátria”, declarou. “Existe uma dura realidade que vamos mudar com foco, trabalho e competência”, prometeu.

Comparando gestões

Apesar de destacar a evolução dos dados negativos da gestão tucana, Mauro Mendes se esquivou ao ser questionado se considerava a gestão de Silval melhor. “Estamos observando que nos últimos quatro anos houve um crescimento absurdo dos restos a pagar. Não me cabe comparar esta administração e qualquer outra, mas sim analisar a realidade de Mato Grosso e falar daqueles que hoje respondem pelo atual governo”, disse.

No entanto, Mendes comparou a gestão de Taques com sua própria gestão na Prefeitura de Cuiabá, e culpou o tucano pelos problemas que deixou de herança para seu sucessor, Emanuel Pinheiro (MDB). “Deixei a prefeitura em 2016 com quase tudo pago. Menos a saúde, porque faltou repasse do governo estadual”, disparou.

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