Memento

“Lembre-se da morte”, ou Memento Mori, é uma expressão latina ou um chamado para nós nos lembrarmos de que a vida é passageira e de que, se temos alguma certeza, é que ela terá fim.

O filme “Memento” – ou “Amnésia”, no Brasil – recebeu ótimas críticas quando lançado em 2000. Inclusive, até hoje é mencionado devido a sua originalidade de roteiro e de narrativa. Em suma, é a história de um homem que busca o assassino da sua esposa, mas ele não consegue mais reter memórias recentes.

Nós somos colocados na perspectiva do personagem quando o filme opta por contar a história de trás para frente. Nós vemos a consequência, depois descobrimos a causa. A cada lapso de memória o personagem corre o risco de voltar à estaca zero; o que não acontece graças às suas anotações de fatos e de pessoas que ele carrega consigo. Ele tatua as informações-chave pelo seu corpo como garantia.

Saindo um pouco do filme, gostaria de falar um pouco sobre a memória.

Você consegue imaginar o que é viver sem memória? Seria possível para a civilização prosperar sem memória? É evidente que não. Só que penso que isso faça parte de um chamado ainda mais profundo que isso.

No livro do Gênesis, quando Deus se refere ao homem durante a sua criação, ele escolhe uma palavra curiosa. No livro O Silêncio de Adão, o autor Larry Crabb diz: “Nessa passagem, a palavra ‘homem’ é traduzida da palavra hebraica ‘zakar’, que significa ‘aquele que se lembra’”.

A memória é uma das coisas que nos torna humanos. Sim, outros animais têm memória, mas não com a complexidade humana. Sem a memória individual ou coletiva teríamos que descobrir a roda toda vez. Hoje, o que temos de avanço em qualquer área não é mais do que um acúmulo de conhecimento que acessamos através dessa memória coletiva.

Agora, voltando ao filme.

O filme em questão foi dirigido pelo Christopher Nolan, mas são do seu irmão Jonathan Nolan os escritos nos quais se baseiam o filme. A temática da memória voltaria a aparecer na série Westworld, de 2016, lançada pela HBO e escrita por Jonathan e sua esposa Lisa Joy. Há todo um debate na primeira temporada sobre a consciência e o livre-arbítrio dos robôs. Mas tudo isso passa pela memória. Os robôs da série só são uma ameaça aos humanos quando eles começam a acessar suas memórias.

Enfim, recomendo vivamente o filme e a série citados não só por vários motivos técnicos e de entretenimento, mas também, acima disso, pela possibilidade de reflexão.

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