MT freou disseminação do novo coronavírus em julho, apontam boletins

Apesar de ainda ser alto, número de infectados teria ultrapassado 100 mil, se o ritmo de junho tivesse se mantido

(Foto: Assessoria/Inac)

Mato Grosso conseguiu frear a disseminação do contágio pelo novo coronavírus em julho, mesmo com o avanço mais acelerado de casos. Conforme o boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o mês encerrou com 52.078 diagnósticos confirmados desde o início da pandemia. 

Contudo, o mês também foi marcado por contestações ao registro diário de novos doentes da covid-19. As suspeitas são de uma contenção de testes e resultados. 

Até o dia 1º julho o Estado tinha 17.401 casos positivos, um crescimento de 205%, se compararmos com o número registrado em 1º de junho. 

Naquele mês, entretanto, a evolução foi muito maior. O volume de novos diagnósticos teve um crescimento de 518%. Mato Grosso saiu de 2.636 infectados no dia 1º para 16.304, no dia 30.

Se esse crescimento tivesse se mantido em julho, o Estado já teria passado a marca de 100 mil doentes oficiais. 

Também estaria próximo a 1 milhão de infectados, se levado em conta o que especialistas têm afirmado: que o número de doentes pode ser 10 vezes maior que o registrado oficialmente, dado o fato de que muitas pessoas não tiveram sintomas ou, simplesmente, não entraram nas estatísticas.

O acesso ao teste que identifica a covid-19 ainda não é tão universal quanto pesquisadores afirmam que deveria ser (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Oscilação acentuada 

Em julho, Mato Grosso apresentou a variação mais acentuada nos registros. Tanto bateu novo recorde, com mais de 2 mil casos em 24 horas (marca registrada mais de uma vez), quanto teve dias com quedas bruscas de até 90% nas 24 horas seguintes (o que ocorreu principalmente aos fins de semana). 

O mesmo ocorreu no primeiro fim de semana de agosto.

O Conselho das Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems) denunciou na semana passada que mais 12 mil testes enviados pelos municípios estariam “represados” no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MT), responsável pelo processamento dos materiais. 

O motivo seria a demora na realização do exame por causa do crescimento da demanda. O boletim do dia 31, última sexta-feira, traz a informação, todavia, de que havia somente  3.237 exames em análise. 

“Para se ter uma ideia, tem paciente que fez teste no dia 13 e hoje, dia 3, ainda não recebeu o resultado. Já se passaram 20 dias”, diz o presidente do Cosems, Marco Antônio Norberto. 

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) diz que houve semana ao longo do mês em que os números de média móvel foram divulgados pela metade pela Secretaria de Saúde. 

Médico sanitarista, o deputado Lúdio Cabral vem afirmando haver inconsistências nos dados do governo do Estado (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“O boletim epidemiológico do dia 30 de julho traz uma média móvel de 7 dias com 650 casos novos de covid por dia. Mas, na realidade, essa média móvel é de 1.360. Todo o trabalho que tenho feito, desde o início da pandemia, é com base nos números oficiais. E os números oficiais estão cada vez mais precários para analisar”, disse. 

boletim do dia 31 também informa que a média móvel em julho, que leva em conta o número de casos ao longo de uma semana, variou entre 1.068 e 643. 

Curados 

Também em julho, Mato Grosso apresentou a melhor taxa, no histórico da pandemia, de pessoas curadas. No dia 31, eles correspondiam a 61% dos 52.078 casos confirmados. No primeiro dia do mês, essa proporção estava em 37%.

Junho começou uma equivalência de 28,4% e encerrou com 36,1%. 

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