Marmitas a R$5: empresárias revelam segredo para manter preço e ainda lucrar

Preços populares agradam a freguesia formada por trabalhadores do Distrito Industrial de Cuiabá e caminhoneiros

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A empresária Glaucia Berté diz que um milagre sempre acontece no mercado quando ela vai fazer as compras necessárias para cozinhar as marmitas que consegue vender a R$ 5. Seu local de trabalho é a BR-364, saída de Cuiabá, no bairro Distrito Industrial.

Ela está há 4 anos no local e, com a pandemia, aumentou as vendas, já que muitos restaurantes localizados na beira da estrada foram fechados.

Um cenário que ela acredita ser oportuno para conquistar novos clientes, que permanecerão cativos quando tudo isso acabar. E para alcançar o objetivo, ela pretende manter a mesma estratégia: unir a qualidade ao preço.

Desde que começou, mesmo com a inflação, Glaucia conseguiu manter o valor final do produto e ainda obter lucro suficiente para manter a família e guardar um dinheirinho. Com ele pretender realizar o sonho da casa própria.

Glaucia mantem preço mesmo final mesmo com o aumentos dos insumos (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

No cardápio, como ela mesma diz, não tem nada elaborado, apenas a boa comida caseira que os trabalhadores estão acostumados e que traz “sustança” para um dia inteiro na lida pesada.

Sempre tem arroz, feijão, macarrão e uma mistura – proteína animal -, além de uma pequena porção de salada.

Na terça-feira (14), quando a equipe do LIVRE esteve no local, cada quentinha tinha duas escumadeiras de arroz, duas conchas de feijão, dois pegadores fartos de macarrão com salsicha e um coxa de frango frita.

Pandemia favoreceu negócio porque muitos restaurantes na beira da estrada fecharam. (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ela não sabe ao certo quando pesa uma unidade, mas diz que é um marmita bem completa e que em muitos pontos da cidade, seria vendida a R$ 15.

“O meu segredo é cozinhar tudo no dia. Tem gente que passa e compra duas. Uma para o almoço e outra para levar para casa e comer no jantar”, comenta.

Ela começa as vendas as 9h30 da manhã e, desde então, vários caminhoneiros e trabalhadores que atuam nas empresas do Distrito Industrial vão ao local pegar as refeições.

A perspectiva de lucro é sempre um pouco mais de R$ 1 por unidade e depende muito de como ela consegue negociar a proteína nos mercados e açougues.

Alguns trabalhadores compram duas unidades e já deixam uma delas reservada para o jantar (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“O grosso eu compro de fardo, mas o resto prefiro do dia. Mas teve muitos aumentos. A carne que compro para fazer com mandioca, por exemplo, eu comprava por R$ 11 quando comecei. Agora, pago R$ 17”, relata.

Quando questionada porque não repassa os aumentos ao consumidor, Glaucia diz que sabe a necessidade da clientela e quer mantê-la para garantir o dinheiro da sobrevivência.

Um mercado em expansão

A poucos metros de Glaucia, a cozinheira Girlene Costa Oliveira, também investe nas quentinhas populares. Ela está há pouco mais de um ano e meio no local e conta que vende cerca de 120 unidades por dia.

Segundo a empreendedora, mesmo com todas as dificuldades, ainda é mais vantajoso trabalhar para ela mesma do que para “os outros”.

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Girlene tem o sonho de expandir o negócio, mas ainda não tem capital para isso. (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O foco dela está mais nos funcionários das empresas, que precisam comer bem para aguentar a labuta pesada, porém não podem se dar ao luxo de gastar muito.

O cardápio também é baseado na mistura básica do brasileiro: arroz e feijão, e sempre vai uma proteína animal e um adicional, que pode ser farofa ou polenta.

Porém, a estratégia dela de compra dos produtos é diferente.

Ao contrário de Glaucia, que compra quantidades grandes dos não perecíveis e, diariamente,  faz a aquisição da carne. Girlene conta com a ajuda das promoções do dia e explica que trabalha conforme o “giro”.

Muitas vezes eu penso em um cardápio, mas quando vou ao mercado, vejo que aquilo está caro. Então, verifico as ofertas e, ali mesmo, já elaboro uma alternativa para fazer algo gostoso e que que caiba na minha estimativa de custo“, explica.

Empresária acorda todos os dias de madrugada, mas não reclama e fala que vale a pena (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

De acordo com a empresária, mesmo com todo o sacrifício de acordar 3h da manhã para cozinhar e arrumar as marmitas, sair para vendas, ir para as compras e almoçar por volta de 16h, quando tudo já está encaminhado para o outro dia, o trabalho vale a pena.

“Meu sonho é montar vários furgões e vender em diferentes pontos da cidade. O problema é que ainda não consigo pagar funcionários e, por isso, faço sozinha. Mas é por enquanto“, finaliza.

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