Marmita nos presídios: empresas pedem R$ 25 milhões e avisam que vão parar distribuição

Interrupção no fornecimento já tinha acontecido em novembro, quando o governo garantiu que pagaria parte dos atrasados

O Governo Pedro Taques ainda enfrenta graves problemas referentes aos repasses para fornecedores. Alguns, como as 16 empresas responsáveis pela alimentação nas 56 penitenciárias do Estado, já avisaram que devem paralisar a distribuição na próxima sexta-feira (14) caso o Estado não regularize parte dos valores atrasados.

Conforme o empresário Cristiano Milhomem, que fornece a alimentação para os presídios do Araguaia, diversos empresários já sinalizaram pela interrupção do serviço, por não terem mais condições de arcar com os custos.

Segundo Milhomem, muitos fornecedores estão sem receber os repasses há mais de seis meses. A empresa que está “mais em dia” com o Estado estaria com atraso no pagamento de quase três meses.

Na avaliação dos fornecedores, o pagamento mínimo que deve ser feito para que as empresas continuem trabalhando está na ordem de R$ 25 milhões. O montante seria referente a atrasos contabilizados apenas até outubro.

[featured_paragraph]“Não adianta lutarmos para recebermos até os meses de novembro e dezembro, porque, contabilmente, não seria possível. Agora, ficarmos sem receber até outubro é impossível”, ponderou o representante.[/featured_paragraph]

Segundo explicou, desde o início da gestão, o governo tem atrasado o repasse para os fornecedores. Como consequência, muitos se endividaram e podem quebrar, uma vez que teriam feito empréstimos para quitar suas próprias dívidas.

Nesta semana, os fornecedores teriam buscado um posicionamento junto a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) quanto ao montante cobrado. De acordo com Milhomen, caso o órgão não dê uma resposta até quinta-feira, já no dia seguinte as alimentações poderão ser fracionadas ou interrompidas dentro dos presídios. A medida seria replicada em todas as 56 unidades penitenciárias.

No final de novembro, o LIVRE noticiou a paralisação do fornecimento de uma alimentação na Penitenciária Central do Estado (PCE), que atingiu a cerca de dois mil detentos. Naquela quarta-feira, os detentos ficaram sem o café da manhã e o caso já foi o suficiente para que rumores de uma rebelião circulasse entre a população. A informação do possível motim foi negada pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

Devido à ocasião, a Pasta também informou ao LIVRE que o pagamento de R$ 8,1 milhões havia sido autorizado e deveria ser feito até o final do dia. Até o fechamento desta matéria, a Sejudh não confirmou se o repasse foi feito, conforme anunciado.

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