Manoel de Barros: célebre poeta cuiabano é tema de exposição em SP

Manoel de Barros promoveu uma revolução poética ao criar um universo próprio

A Ocupação Itaú Cultural chega a sua 43° edição e, dessa vez, terá como homenageado o poeta cuiabano, Manoel de Barros (1916-2014).  A exposição, que começa nesta quarta-feira (13), na Avenida Paulista, segue até o dia 7 de abril.

A abertura da mostra será às 20 horas. Visitantes podem conferi-la das 7h às 20h, de terça à sexta, e das 11h às 20h, aos finais de semanas e feriados.

A mostra exibe a trajetória de Manoel e foi montada a partir de um acervo pessoal mantido pela filha do poeta, de cartas, fotos e material literário. Também ficarão expostas cartas trocadas entre o autor e outras grandes personalidades, como o desenhista Millôr Fernandes, o escritor Mario de Andrade, o chargista Henfil e o escritor Carlos Drummond.

A propósito, em 1986, Drummond declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo.

Formalmente vinculado ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros promoveu uma revolução poética ao criar um universo próprio. Por vezes comparado a Guimarães Rosa, subvertia a sintaxe e criava construções à margem das normas da língua padrão, com poemas cheios de neologismos e sinestesias.

Manoel de Barros/Arquivo pessoal

Para a exposição, as poesias de Manoel foram gravadas nas vozes da cantora Marlui Miranda e do escritor Marcelino Freire. Haverá projeções de escritos do poeta em um telão e oficina de encadernação nos dias 23 e 24 deste mês. Além da exposição, o projeto deu origem a uma publicação impressa, que será distribuída gratuitamente na recepção aos visitantes.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

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