Mais um ano perdido? Pandemia ainda pode encurtar aulas em seis meses

Para não perder parte do Fundeb, escolas podem estender período de matrícula. Mas como fica a aprendizagem de quem chegar atrasado?

(Foto: MEC/Divulgação)

No fim de 2020, a Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc) resolveu pela união de anos letivos (2020-2021) para contornar o impacto da pandemia nas escolas. A justificativa era que o rendimento alunos ficou baixo e 76 mil deles desistiram dos estudos. 

Agora, as escolas avaliam estender o período de matrículas até o fim do semestre, para tentar frear a redução do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Educação Básica (Fundeb). A informação foi repassada ao LIVRE pela União dos Dirigentes Municipais de Educação de Mato Grosso (Undime-MT).

O Fundo assegura 25% dos impostos recolhidos para áreas específicas na educação, mas é distribuído de acordo com o número de alunos – menos matrículas, menos dinheiro. E o ano letivo 2021 iniciou com cerca de 70 mil vagas sem concorrência. 

Os números indicam que pode ocorrer outro ano catastrófico para educação em Mato Grosso. Se as escolas terão alunos ingressando no meio do período, precisam considerar como aplicar o conteúdo programado para o ano. O cenário menos danoso pode ser reduzir esse conteúdo para seis meses da grade curricular inicialmente planejada. 

Mas essa situação precisa ser avaliada em conjunto com o fato de 2020 já ter sido um ano negativo.

Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Silas Borges Monteiro afirma que podemos estar vendo o início de uma geração excluída das escolas. 

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ele diz que o impacto da pandemia na vida dos alunos vai além do fechamento das unidades que, no caso das públicas, ainda não conseguiram contornar a situação extraordinária trazia pela covid-19.  

“Essas crianças não vão voltar para as escolas, elas vão procurar alguma fonte de renda. São alunos que estão vendo suas famílias afetadas pelo desemprego, problemas em casa de diversas maneiras. A escola é um elemento a mais”, comenta. 

Calendário engessado 

O professor afirma que os gestores da Educação ainda não pensaram de forma sistêmica a manutenção do ensino, mesmos em tempo de crise. A preocupação está nos cuidados de segurança para evitar o contágio pelo novo coronavírus enquanto ocorre uma evasão na casa dos milhares. 

O ponto a ser pensado seria a modificação do calendário letivo, para se adaptar à situação de pandemia e aulas retomas. Em outras palavras, ofertar aulas num modelo que ajude os estudantes a não perder de vista a conclusão do ensino básico. 

É preciso refazer o calendário escolar; ninguém falou nisso ainda. Dá para termos um ano com o mesmo número de aulas, com todo o conteúdo. É preciso pensar numa forma que mantenha os alunos com foco nas aulas e que não fossem tão prejudicados”. 

A redução do calendário foi autorizada pelo governo federal, mas a Seduc, pressionada por entidades sindicais de ensino, optou pela união dos dois anos letivos. O assunto que não está sendo discutido é o de maior prejuízo para alunos: a perda da aprendizagem.

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