Maior produção e alta do dólar: como o agronegócio escapou da pandemia?

Ao contrário de praticamente todos os outros setores econômicos, a agricultura e pecuária até bateram recordes por causa da crise do novo coronavírus

Imagem Ilustrativa (Foto: Sistema Famato)

O agronegócio em Mato Grosso atravessou a pandemia numa redoma. O setor, simplesmente, não sentiu o efeito de paralisação sofrido por grande parte da economia. Ao contrário, a situação adversa criou fatores que favoreceram seu crescimento e resultaram em novos recordes. 

A novidade mais marcante foi a alta do dólar na cotação brasileira, que reajustou para cima o preço das commodities. Também colaborou para o enfraquecimento de outros mercados internacionais, o que fez os importadores voltarem os olhos para Mato Grosso.  

O empresário Gilberto Heberhardt diz que sua produção de milho na última safrinha foi a melhor dos últimos sete anos. O número de sacas colhidas cresceu 18%. O resultado é comparável, diz ele, ao período anterior ao da crise de 2014.

“Não tivemos paralisação. Pelo contrário, houve até situação melhor, porque tivemos menos fila para despachar. Conseguimos vender tudo que produzimos dos 500 hectares que plantamos”, diz.  

(Foto: Divulgação/Mapa)

O lucro maior não veio só pelo aumento da produção. A alta do dólar durante os meses da pandemia elevou o preço da saca entre R$ 8 R$ 10. Conforme o empresário, no preço negociado, a variação representou ganho superior de até 30%.  

Na cota de soja que vendeu, o preço anterior à pandemia estava em R$ 78 e a alta da moeda fez subir para R$ 100 

“Minha produção de soja também foi maior na safra passada e não tivemos problema nenhum para vender para as trades. As atividades ficaram preparadas desde o início da pandemia, com medição de temperatura, verificação de sintomas. Então, não tivemos problema nenhum de parar por causa do isolamento”, comenta. 

A salvação no dólar 

Diretor técnico da Associação dos Criadores de Gados de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi explica que o fechamento de vários segmentos econômico ameaçou interromper a alta no preço da arroba da carne bovina nas primeiras semanas de restrição social. 

A consumo do mercado brasileiro, que representa 70% da produção, caiu por causa da redução da renda. O que afastou o espectro foi a alta do dólar e aumento da exportação. 

“O preço da arroba cresceu em meados de 2019, após anos estagnado. Passou de R$ 150 para R$ 200. Com a pandemia, houve uma oscilação e teve queda no preço, por causa da situação interna nossa. Mas se recuperou com a maior demanda para a exportação, com o preço do dólar. Hoje, a arroba está variando entre R$ 210 e R$ 220”, comenta. 

Mato Grosso exportou 50 mil toneladas de carne bovina. Conforme a Acrimat, é o melhor resultado desde 1996. Na comparação somente com o ano passado, houve crescimento de 41%. 

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