Magistrada justifica posts irônicos sobre advogados: “cidadã comum tomou o lugar da juíza”

Anna Paula diz que postagens viralizaram de forma equivocada e que respeita os profissionais

A juíza Anna Paula Gomes Freitas, da 2ª Vara Criminal de Tangará da Serra (250 km de Cuiabá), emitiu uma nota negando que tenha tido intenção de desrespeitar ou ironizar os advogados com as postagens feitas em seu perfil no Instagram. Ela justificou as postagens como atos que praticou como “cidadã comum – que reclama da fila do banco ou de uma atitude de um semelhante”, e considerou que as mensagens infelizmente viralizaram “de forma equivocada”.

Na nota, Anna Paula afirmou que tem mais de 13 anos de carreira na magistratura, tendo atuado em diversas comarcas de Mato Grosso, “pautada no respeito com agentes que compõem o trâmite jurídico”.

A magistrada provocou polêmica ao postar selfies e stories ironizando perguntas feitas por advogados em audiências que conduziu na comarca de Tangará. “Aquela satisfação quando da pergunta idiota vem uma resposta que é tudo que a defesa não queria ouvir”, escreveu ela em uma ocasião. “Aquela falta de paciência que vai dando quando a audiência é estressante e o advogado começa a fazer pergunta idiota!”, postou a juíza em outro momento.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com representação na Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

Leia a nota de Anna Paula na íntegra:

POST 1

Bom dia!

Recentemente, por meio deste meio de comunicação – sim, trata-se de um meio comunicação e que em muitas vezes usamos de forma casual – fiz duas postagem que devem ser refletidas. Por este motivo, emito uma nota à sociedade, à imprensa e, principalmente, aos advogados, no post a seguir:

 

POST 2

NOTA PÚBLICA

Em outubro deste ano, completo 14 anos no pleno exercício da magistratura em Mato Grosso. Cargo que ocupo com honra, amor, dedicação e responsabilidade. Ao longo desses anos, atuei nas comarcas de Nova Canaã do Norte, Colíder, Alto Araguaia, Alta Floresta e, agora, em Tangará da Serra. Isto, sempre trilhando um trabalho sério em favor da população e do Estado e pautada no respeito com agentes que compõem o trâmite jurídico.

Contudo, infelizmente, em data recente, a cidadã comum – que reclama da fila do banco ou de uma atitude de um semelhante – tomou o lugar da juíza. As declarações que postei na minha rede social (fechada, supostamente só para amigos) foram postas à população, aos magistrados e, principalmente, aos advogados em geral, e tomaram grandes proporções na mídia.

Infelizmente, viralizou de forma equivocada, pois, jamais tive a intenção de praticar qualquer ato de ironia, ou, desrespeito para com quem quer que seja, principalmente, para com os advogados.

A advocacia é uma profissão à qual servi, honrei e sempre respeitei e da qual tenho muito orgulho, pois, antes de Magistrada, fui advogada.

E é para os advogados que dedico este último trecho desta nota. Quem atuou comigo, nas cinco comarcas que citei, sabe do respeito, da isonomia e da seriedade com os quais sempre tratei a classe – que compreendo o importante papel que possuem diante da sociedade. Em respeito à população e aos advogados, bem como pela Justiça, senti a necessidade dessa explicação, como uma forma de retratação.

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1 COMENTÁRIO

  1. Estou prestes a prestar o exame da OAB com sentimento de muito orgulho e respeito aos mes futuros colegas de trabalho. Mas ao ver seus posts me senti indignada e vergonha das suas atitudes. Uma magistrada que realmente respeita os colegas de trabalho, sem ares de superioridade, jamais agiria desta forma; ainda mais depois de 14 anos de exercício. Nem sempre os longos anos de atividade faz jus à “boa e correta” experiência de vida. Muitas vezes, a experiência é ao avesso.

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