Maggi segue no Ministério da Agricultura e não será candidato neste ano

Ednilson Aguiar/O Livre

Blairo Maggi

Blairo Maggi: “denúncias e ataques infundados” fizeram com que o ministro desistisse de disputar as eleições deste ano

O desgaste pessoal e de imagem resultantes de “denúncias infundadas” e de “ataques da imprensa” é o fator determinante que levará o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) a anunciar, na próxima segunda-feira (26), que não vai disputar nenhum cargo público nas eleições deste ano. Maggi, que é senador licenciado, é tido como favorito à reeleição.

Uma fonte muito próxima ao ministro disse ao LIVRE que Maggi “está cansado de ser envolvido gratuitamente em escândalos dos quais ele nada tem a ver”. Episódios como o de uma aeronave apreendida com drogas em Mato Grosso – erroneamente noticiado como sendo na fazenda do ministro – e uma reportagem da Folha de S. Paulo apontando-o como beneficiário de vale-refeição de R$ 458 e de um apartamento funcional em Brasília, teriam sido determinantes.

“Essa história do ‘auxílio-moradia’ acredito que tenha sido a gota d’água. Isso o deixou cansado. Não de trabalhar, de representar o Estado, porque isso ele gosta de fazer. É óbvio que ele não está na política para ganhar dinheiro, porque disso ele não precisa. Mas há como que uma sensação de que, por mais que ele faça, nunca está bom”, afirmou.

“Só valeria a pena eu continuar na vida pública a receber o mesmo abraço, o mesmo carinho das pessoas. Mas não é isso que está acontecendo”, disse o próprio Blairo Maggi recentemente, a um interlocutor.

Outro motivo seriam as empresas da família. Depois que entrou para a vida pública, o ministro não teria tido mais “sossego”.

Um parlamentar próximo a Maggi citou um exemplo. “Esses dias eu vendi um terreno e depositaram o pagamento em dinheiro na minha conta. Na hora precisei justificar a origem desse dinheiro para que eu não tivesse problemas com a Justiça Eleitoral. Ao vir para política, o empresário fica visado, acaba com a sua vida empresarial”.

Durante a posse da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), nessa terça-feira (20), em Brasília, o tom do discurso de Maggi era claramente de permanência no ministério, até o final da Gestão Temer.

Por vezes, ele cobrou dos parlamentares presentes apoio para que possa continuar fazendo as transformações que considera necessárias para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

Segundo o ministro, seu trabalho na Esplanada, em Brasília, apenas começou. “Não terminamos, apenas começamos e preciso do apoio do Congresso Nacional e da Frente para realizar as mudanças que o Brasil necessita”, afirmou, depois de lembrar a crise passada pelo setor, em decorrência da operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal.

Maggi destacou que o país pensava que cumpria todos os requisitos em relação às exigências sanitárias dos mercados internacionais, mas bastou a Operação para que falhas fossem identificadas.

“Começamos a fazer mudanças no sistema de inspeção sanitária, porque até aquele momento entendíamos que cumpríamos todas as regras e passamos a ser cobrados por falhas que vínhamos cometendo há muito tempo. Atender a essas exigências é a responsabilidade que tenho como ministro da Agricultura”, disse.

Em outro momento, o ministro agradeceu a liberdade que tem no comando da Pasta, sem interferências políticas. “Vocês deixam o ministro e o corpo técnico do Mapa trabalhar”, observou.

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