Mães se unem a fotógrafo e criam exposição sobre a vida com microcefalia

Ao todo, 16 crianças, de 1 a 7 anos, terão seu dia a dia expostos em 32 telas que retratam como é a vida de quem nasce com a doença congênita

Foto: Bruno Sampaio

O grupo “Mães Unidas pelo Amor” criou, recentemente, a ação “A vida com microcefalia”, uma exposição de fotos retratando a realidade de 16 crianças, de 1 a 7 anos de idade, que nasceram com a doença congênita. O projeto, que abraça famílias de todo o Estado de Mato Grosso, selecionou 32 fotos de crianças de Cuiabá e Várzea Grande.

Percorrendo, durante duas semanas, mais de 400 quilômetros por bairros periféricos da Baixada Cuiabana, o fotógrafo Bruno Sampaio Ricci contou como foi captar a realidade de crianças e suas mães, coisa que poucos imaginam. “Estive em lugares de difícil acesso. Sem saneamento e asfalto. Ali eu já enxergava a dificuldade das famílias”, disse.

Junior Araújo, pai de Gustavo, que tem 4 anos

Pai do menino Miguel, de 9 meses, Bruno também falou sobre o forte elo entre as mães e os filhos com microcefalia. “Sou pai de um bebê saudável e me emocionei todas as vezes, em cada casa que entrei e com cada família que fotografei. O amor dessas mães é incondicional e lindo. São crianças tão puras e amorosas, que amor entre os filhos e pais chega a ser mais forte que em outras famílias”, descreveu o fotógrafo, que doou seu trabalho para o projeto.

Prova desse amor dos pais pelos filhos com microcefalia é Junior Araújo, pai de Gustavo, de 4 anos. “É inexplicável o sentimento que eles despertam em nós. São lutas diárias, mas gratificantes. Gustavo é meu príncipe e quero que ele seja uma criança feliz e realizada”, afirma.

Uma geração marcada

Estudos apontaram o Zica Vírus, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, como o causador do crescente número de nascimentos de crianças com a malformação congênita entre 2014 e 2016. Na época, o país recebeu milhares de turistas, vindos de vários lugares do mundo para assistir aos jogos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos e a suspeita é que o vírus tenha entrado no país dessa forma.

Para Maria Aparecida, idealizadora do projeto, essas crianças representam uma geração que foi condenada a própria sorte, enquanto o país estava em festa. “É uma geração que ficou marcada. Grávidas tinham medo de serem picadas pelo mosquito. Farmácias reabastecendo o estoque de repelentes. E a saúde pública sem saber lidar com o enorme problema. Hoje, essas crianças são a herança da epidemia que assustou o país e essa exposição que estamos organizando, tem como objetivo mostrar para sociedade que existem famílias colhendo o fruto do Zica Vírus e que merecem ser assistidas com carinho”.

O grupo Mães Unidas pelo Amor já ganhou as molduras das fotografias. Agora, para que a exposição “A vida com microcefalia” aconteça, são necessários 17 cavaletes para apoiar as telas. “Toda ajuda é bem vinda para auxiliar essas crianças, que surgem para nós, todos os dias, de vários lugares do Estado. Somos mães unidas e uma acolhe a outra. Sei que a exposição será um sucesso e vai tocar o coração de muita gente”, finalizou Maria Aparecida.

A exposição já tem data prevista para acontecer. Será no Espaço Magnólia, no dia 27 de abril, e na Assembléia Legislativa, nos dias 29 e 30 do mesmo mês. Shoppings da cidade também receberão a exposição.

Mais informações pelo telefone (65) 9 9972-5912 – Maria Aparecida ou pelo Instagram.

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