Luta de classes e máscaras

O que diferencia os inimigos do regime em implantação?

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Quem executa diretamente as revoluções socialistas não são os seus líderes. Dizer que Lênin matou milhões, no rigor da língua, é uma figura de linguagem. Lênin ordenou que matassem milhões, e se não houvessem outros tantos dispostos a obedecê-lo, o número de mortos certamente não alcançaria os sete dígitos.

Além disso, uma das coisas necessárias para que uma ordem como esta pudesse ser executada por tantas pessoas era a facilidade de identificação dos inimigos do regime, e este é outro traço marcante das revoluções socialistas, elementos simplistas diferenciadores da classe opressora: um judeu era facilmente notado na Alemanha, os tutsis em Ruanda, os cambas na Bolívia.

Mas não eram somente as características raciais que marcavam os inimigos do regime. Além do caso russo, em que os inimigos eram os “ricos”, termo bastante flexível, já que rico poderia ser qualquer dono de sítio com duas vacas, há também o caso cambojano, em que entre os inimigos do regime estavam as pessoas que usavam óculos.

Isso porque quem usa óculos é um potencial intelectual e, como dizia Pol Pot: “Se você quer matar a grama, você também tem que matar as raízes”.

Minha intenção aqui não é explicar o que chamo de “covidismo”, discurso que busca o aumento de poder da China e dos globalistas através da redução do poder e do empobrecimento das nações, usando como argumento o combate ao vírus da covid-19.

Nesta nova ideologia socialista baseada na luta de classes, qual é o elemento simplista diferenciador da classe opressora colocado por essa ideologia? Porque, como em toda luta de classes, há o par opressor-oprimido (rico-pobre, branco-preto, homem-mulher, etc), nessa ideologia isso também existe e é o par infectador-infectado.

Porém, nenhum dos cinco sentidos consegue reconhecer o vírus; logo, um artifício, um adereço foi necessário para que a fácil identificação fosse possível: a máscara. Se você está sem máscara, você é o inimigo a ser aniquilado. As máscaras são uma forma de identificar quem é submisso às ordens da elite falante e quem não é.

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4 COMENTÁRIOS

  1. “As máscaras são uma forma de identificar quem é submisso às ordens da elite falante e quem não é.”

    Então quer dizer que se eu uso máscara apenas estou a seguir ordens de classe e, portanto, sendo submisso? Pois jurava que usar um equipamento de proteção tal qual a máscara era uma atitude de preservação não só individual, mas coletiva – haja vista que a taxa de contágio diminui com sua utilização.

    Ademais, um comentário acerca desse trecho:

    “esse é outro traço marcante das revoluções socialistas, elementos simplistas diferenciadores da classe opressora: um judeu era facilmente notado na Alemanha”

    Entendo o ponto de que numa revolução socialista, o inimigo tem de ser facilmente reconhecido (neste caso, a burguesia), para que a revolução concretize-se. Todavia, logo em seguida mencionas que um judeu era facilmente identificado como inimigo na Alemanha, sendo que esse ponto de vista é insustentável, pois nunca foi presenciado uma revolução socialista no país. O fato dos judeus serem apontados como perigosos possui como base um discurso de aversão à condição inata de judeu, e por isso está atrelado ao fascismo; não há ligação nenhuma com revolução socialista.

    • Olá, sou o autor do artigo, a idéia não é discutir se o nazismo era de direita ou de esquerda, o fato é que era uma revolução, era socialista (está inclusive no nome), e havia uma luta entre duas classes, eu ia adicionar isso ao artigo, mas quem já o havia lido, perderia essa parte, então incluirei isso num segundo artigo sobre o assunto.

      • Entendo que estava no nome, mas não há nada de socialismo nisso. O Nazismo exclui veementemente qualquer interpretação materialista e marxista da realidade, ou seja, não está disposto a pensá-la de modo revolucionário, tal qual é defendido no marxismo. Não vamos a discutir se o Nazismo era de esquerda ou de direita porque isso já é uma verdade que só pode ser constestada sem um verdadeiro conhecimento teórico e histórico da sociedade. Se vale de consolo, o PSDB também tem Social no nome, mas nem por isso compartilha de um ideal progressista da coletividade.

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