Economia

Logística concentra forças e agilidade para salvar vidas

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Felipe Martins

Criatividade, sabedoria e coragem. Elementos essenciais para o enfrentamento dos desafios que surgiram no caminhar da guerra contra o coronavírus. O destaque para a logística do transporte brasileiro foi a resposta imediata dada a cada adversidade em que o Brasil se encontrava ante a pandemia. Muito foi feito e ainda há muito o que se fazer pela frente, mas a logística de mobilidade já se sagra como vencedora em meio a rápidas adaptações, ressaltam autoridades reunidas pelo Instituto Besc de Humanidades na webinar “Logística e Mobilização em Tempos de Guerra ao Coronavírus”.

Com a escalada na demanda do e-commerce em 60% e 40% da força de trabalho brasileira migrando para a modalidade de serviço remoto (home office), os Correios não negam algumas dificuldades enfrentadas. À medida em que as encomendas iam aumentando, a necessidade do efetivo de trabalho e de recursos seguiam em proporção de necessidade.

“A pandemia propiciou aos Correios inovar”, afirma o diretor de Operações, Carlos Henrique de Luca Ribeiro. “A dificuldade fez com que tirássemos da gaveta projetos que estavam na esteira de introdução da cadeia de produção. Muitas soluções que passamos a usar na pandemia talvez demorassem mais”.

Uma das inovações apresentada pelo diretor são os lockers (armários tecnológicos) para a entrega de pacotes ao cliente, evitando-se o contato físico entre carteiros e destinatários das encomendas. Em 2 anos, estima-se que haverá quase 20 mil unidades integradas ao sistema dos Correios. Carlos Henrique de Luca afirma que o grande desafio é justamente “a última milha da logística” dos Correios: “entregar a encomenda sem encontrar com o cliente, sem compartilhar a caneta”.

O sistema mudou. E com ele, novos protocolos de higiene. Não usar mais a assinatura, disponibilidade do álcool em gel para o carteiro e a higienização diária dos veículos foram algumas das medidas adotadas pelos Correios. Com a entrega de 40 encomendas por segundo, foi necessário velocidade nas decisões para se adaptar ao novo cenário. Chama a atenção uma operação ímpar: a autorização para o transporte do chamado material genético do coronavírus atenuado, para 85 cidades brasileiras em 22 unidades federativas, na intenção de mapear e acompanhar a evolução e sequenciamento do vírus.

Para o coronel da Reserva do Exército e assessor do governo de Minas Gerais Carlos Henrique Guedes, o grande objetivo da logística é salvar vidas. “As exigências neste momento são muito grandes porque envolvem saúde, envolvem vidas, e o caminho está na logística. O que estamos vivendo é uma reinterpretação de hábitos e até mesmo rituais de níveis sociais”.

O atual cenário mundial também demandou do Ministério da Defesa novas medidas de segurança sanitária. Segundo o coronel aviador Márcio Pontes, gerente operacional do Centro de Coordenação de Logística e Mobilidade (CCLM) do Ministério da Defesa, a instituição trabalhou em quatro operações praticamente simultâneas: Acolhida (referente à ajuda humanitária aos Venezuelanos), COVID-19, Verde Brasil 2 e Pantanal.

A missão de resgate dos brasileiros no exterior, logo no início da pandemia, foi uma operação conjunta com o Ministério das Relações Exteriores, assim como o envio de ajuda humanitária ao Líbano. “Foi um desafio e um trabalho de atenção muito grande, porque a gente não sabia exatamente como é que iria se desenvolver, como iria ser essa quarentena”, aponta o Coronel Pontes.

Paulo César Rezende de Carvalho Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, pontua que, além das missões já citadas, o Ministério da Defesa atuou no transporte de EPI’s (equipamentos de proteção individual), aparelhos, medicamentos e equipes técnicas, levando amparo a diversas comunidades do território brasileiro. Além disso, o mediador convidado para a vigésima edição da ASPEN – Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional –, aponta os aprendizados que foram possíveis diante do cenário brasileiro. “A gente juntou competência nas áreas de saúde e logística para resolver os problemas que surgiam dia a dia. Houve uma cooperação entre órgãos, entre o setor público e o privado, todo mundo com o mesmo propósito. Isso é lição. É legado”.

Websérie – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube. O evento online acontece às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público e pelo mesmo canal. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no LinkedIn e Facebook.

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24 de abril de 2026 01:21