Literatura: conheça a memória de Cuiabá guardada nos livros

Com quase três séculos de existência, história e identidade é o que não falta. É assim que Cuiabá ganha importantes registros na literatura de cuiabanos e pau-rodados que em páginas, reúnem fotografias, documentos históricos, “causos” e crônicas sobre a o surgimento da capital mato-grossense, suas curiosidades e personagens. E nesta data que comemora 299 anos, O LIVRE reuniu alguns títulos das editoras Entrelinhas e Carlini&Caniato que são ricas fontes para beber da cultura cuiabana e mato-grossense. Confira:

 EDITORA ENTRELINHAS 

CUIABÁ: IMAGENS DA CIDADE. Dos primeiros registros à década de 1960
Maria Auxiliadora de Freitas, Entrelinhas, 272 páginas
“Nesta obra, a historiadora Maria Auxiliadora de Freitas realiza minucioso levantamento de imagens dos mais variados acervos, ao tempo em que nos brinda com inventário de fotógrafos que atuaram na cidade, construindo um referencial precioso para a historiografia, utilizando-se da fotografia como documento histórico. […] O material iconográfico, muito rico, nos leva a recompor a fisionomia e o quadro visual da cidade de Cuiabá. De maneira irretocável, vai mesclando os séculos através das imagens, revelando suas semelhanças e suas diferenças”. (Profª. Lúcia Helena Gaeta Aleixo, doutora em História Econômica pela USP)

CUIABÁ DA TCHAPA E DA CRUZ. Pó dexá, é só uma michidinha no baú da nossa história. All right?
José Augusto Tenuta, Entrelinhas, 240 páginas
“Este livro é uma bela homenagem a Cuiabá, urbe de origem colonial com quase três séculos de história. […] O autor, um cuiabano de ‘tchapa e da cruz’, trouxe para o nosso deleite um pouco do cotidiano da cidade, principalmente da segunda metade do século XX. São fatos que ainda ‘vagam’ pelas ruas e becos do Centro Histórico, personagens que insistem em permanecer na memória e casarões que desafiam o tempo e permanecem em pé, aguardando, quem sabe, a retomada de dias gloriosos.” (Ramiro Cerqueira)

CUIABÁ. De vila à metrópole nascente
Elizabeth Madureira Siqueira, Entrelinhas, 208 páginas
Este álbum histórico-fotográfico reúne algumas centenas de imagens de Cuiabá, organizadas segundo um critério espaço-temporal, com a proposta de permitir um passeio pela cidade, desde as suas origens até os últimos anos da década de 1960. Esse momento foi crucial no processo de transformação urbana da cidade, que passou a receber grande fluxo migratório, em decorrência dos projetos oficiais e particulares de colonização para a expansão e ocupação da fronteira agrícola na Amazônia brasileira. Este livro é uma importante fonte de informações para pesquisadores, acadêmicos e profissionais que pensam ou planejam a cidade, para os que constroem e interferem no seu traçado urbano.

TEMPOS IDOS. TEMPOS VIVIDOS. Crônicas do Cel. Octayde Jorge da Silva
Octayde Jorge da Silva, Entrelinhas, 432 páginas

As crônicas do Cel. Octayde Jorge da Silva foram publicadas em jornais de Cuiabá na década de 1980. Sistematizadas para publicação, oferecem um rico panorama histórico-cultural de Cuiabá. O autor “tinha uma memória que chegava a impressionar, expressa na sensibilidade do dia-a-dia. Os juízos de valores registrados na escrita realizada deram lugar à busca incessante pela manutenção da tradição, talvez como forma de luta com vistas à preservação da identidade cuiabana. Esquecimento sempre lhe pareceu algo pecaminoso, pois como pude constatar, guardava as datas, os acontecimentos, as paisagens e os sons. O coronel Octayde Jorge da Silva assistiu da sua rede e cadeira de balanço, camarotes cuiabanos, aos acontecimentos mundiais da época em que viveu. Ao cultivar a memória, abordou o tempo na história de forma fracionada, e ampliada”, conta o organizador da publicação.

KYVAVERÁ
Ivens Cuiabano Scaff, Entrelinhas, 160 páginas
Kyvaverá, título do livro de poemas do poeta e autor infantojuvenil Ivens Cuiabano Scaff, é também o nome usado por índios para identificar o rio que banha a antiga Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, hoje conhecida apenas como Cuiabá, capital de Mato Grosso. A obra é uma ode de amor a Cuiabá, ilustrada com obras de arte de Jonas Barros. O livro é dedicado “a todas as pessoas a quem a simples menção do nome Cuiabá evoca vibrações felizes em seus corações”. “É importante ter um livro que reafirme a relação amorosa que a gente tem com a cidade”, afirma o autor. Cenas, detalhes do dia a dia da cidade – alegres, tristes, mas sempre poéticos – emergem da poesia de Ivens Scaff, que Marília Beatriz de Figueiredo Leite classifica de “um mágico músico do cotidiano” no texto de apresentação.

CUIABÁLIA: CRÔNICAS
Hélio Pimentel, Entrelinhas, 176 páginas

“… tens em mãos uma coletânea e crônicas escritas e publicadas nos jornais locais ao longo dos anos 80 do século XX. Elas enfocam a questão da preservação e conservação do patrimônio histórico local, principalmente. Ficaram guardadas por três décadas.[…] O tempo passou com uma velocidade incrível, mas elas [as crônicas] permaneceram intactas e, de certa forma, atuais, uma vez que os problemas continuam. Retomamos o projeto e ei-las, enfim, em forma de livro.” (Hélio Pimentel)

 CARLINI & CANIATO EDITORIAL

SÃO GONÇALO VELHO
Paulo Pitaluga Costa e Silva, Carlini & Caniato, 2010, 91 páginas

São Gonçalo Velho é a povoação urbana mais antiga de Mato Grosso e em especial da região do vale do rio Cuiabá, sendo que sua ocupação populacional nunca sofreu qualquer descontinuidade desde 1718. Sua memória histórica e social sempre foi relegada a um segundo plano na historiografia regional, vez que sempre se priorizou as pesquisas e os textos acerca de Cuiabá, as lavras do Sutil por excelência, em detrimento de seus primeiros arranchamentos – e é o que este livro aborda em seu conteúdo.

CUYAVERÁ. Cuiabá: a lontra brilhante
Paulo Pitaluga Costa e Silva, Carlini & Caniato, 2007, 272 páginas
Intrigado pelas lendas e estórias que norteiam a origem do nome Cuiabá, o autor mergulha em uma pesquisa histórica e etimológica profunda em busca de fatos, documentos e mapas que comprovem sua origem. Como recompensa pela persistência e dedicação à história, encontra um documento jesuíta do século XVIII referindo-se ao rio Cuiabá como Cuyaverá. Análise etimológica feita por professor de Guarani em Assunção, a palavra Cuyaverá vem de Kyyaverá, significando Lontra Brilhante. Os índios da região observando o pêlo sedoso das lontras refletindo o brilho da luz do sol, denominaram-no de rio da Lontra Brilhante. Posteriormente o autor, através de mapas coloniais dos séculos XVII e XVIII comprova a existência dos índios Cuyaberás, que viviam às margens do rio da Lontra Brilhante. Assim, o rio Kyyaverá, por evolução fonética passou a denominar o rio e os índios Cuyaverás e, posteriormente, em contração fonética surgiu o nome atual do rio, das minas, da vila e da cidade de Cuiabá

ERROS E MITOS – NA HISTÓRIA DE MATO GROSSO
Paulo Pitaluga Costa e Silva, Carlini & Caniato, 2012, 112 páginas

A obra procura analisar determinados erros na história de Mato Grosso, alguns dando origem até mesmo a alguns mitos que se mantiveram incólumes e se consolidaram, como se tivessem os fatos realmente acontecidos. Não pretende-se restaurar a história, nem resgatar a veracidade de determinados aspectos que foram contados. Nem tão pouco culpar os historiadores do passado. Esses tiveram o mérito do pioneirismo intelectual e conseguiram construir pouco a pouco, com todas as dificuldades da pesquisa num Mato Grosso isolado e distante, todo o alicerce da historiografia. Apenas pretende-se mostrar, com pesquisa documental e bibliográfica, acrescida de uma análise crítica, uma história mais realista e mais verdadeira, buscando relatar fatos mais concretos e, principalmente, mostrando personagens no exato tamanho em que realmente se colocaram

BICAS, FONTES E CHAFARIZES. Caixa d’água Velha e a água de beber.
Neila Maria Souza Barreto, Carlini & Caniato, 2015, 160 páginas
Neila Maria Souza Barreto convida-nos a caminhar pelo espaço urbano de Cuiabá de outrora para observarmos como os rios, os córregos, as fontes e os chafarizes, indistintamente, saciavam a sede dos escravos, dos pobres livres urbanos e dos homens e mulheres da elite, apontando-nos os instrumentos que eram utilizados para o transporte e posterior uso da água, como as carroças, as pipas e os bois. Leva-nos também ao que denominou “Espaços Privilegiados de Água Potável Urbana”, onde as primeiras penas d’água finalmente foram instaladas em Cuiabá, já no final do século XIX, especificamente no ano de 1886.

AS ENGRENAGENS DA CIDADE
Marcia Bonfim, Carlini & Caniato, 2010
Este livro é marcado por uma abordagem extremamente inovadora no campo da história. Não só porque enfrenta o desafio de um tema relevante para o mundo contemporâneo, a cidade e seu patrimônio histórico, situada entre diversas temporalidades, mas também porque traz análises arrojadas sobre a experiência da modernização e as práticas culturais que a constituem. Um movimento simultâneo bastante controverso, que mais revela uma memória voltada para o futuro.

O FALAR CUIABANO
Cristina Campos, 2014, 160 páginas
O livro apresenta um olhar para o falar cuiabano e descreve a composição cultural que constituiu essa sociedade e seu linguajar típico: a herança dos povos indígenas, especialmente os Bororo; os espanhóis da bacia do rio da Prata, no séc. XVI; e os portugueses das bandeiras paulistas, no séc. XVIII  como uma expressão da Cuiabania, no sentido de fornecer um suporte material para compreendê-la. Espera-se que, a partir dele, professores e alunos lancem-se ao divertido exercício de conhecer e registrar as peculiaridades linguísticas e culturais das suas comunidades, ou de grupos aos quais tiverem acesso onde este dialeto ainda seja falado. É direcionado aos mato-grossenses, professores, jovens alunos e sociedade brasileira em geral, interessada em cultura e linguística.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorBaterista carioca lança disco cheio de groove, dedicado ao jazz rock
Próximo artigoCom a câmera sempre na mochila, fotógrafo registra cotidiano e relembra infância