Limpa banco: idosos fazem maratona nos bailes de Cuiabá

Vanerão, bolero e lambadão são os ritmos preferidos do público

(Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

Idosos peregrinam pelos centros de convivência de Cuiabá e Várzea Grande em busca de bailes. Para eles não têm distância ou obstáculo. Vale tudo para encontrar amigos e varrer o salão.

Quando o bolero toca – ritmo mais aguardado -, os pares já começam a se ajeitar. Nesta hora, há aqueles que se preveniram e combinaram com o parceiro antes e os que se resolvem na hora.

Agostinho Figueiredo, 72, é um dos que preferem achar companhia no local. Ele tem uma agenda tumultuada, sendo que nas quartas-feiras, por exemplo, frequenta a festa dos centros de convivência Padre Firmo (Porto) e Maira Ignês (CPA).

Agostinho Figueiredo não perde um baile e diz que tem a semana repleta de compromissos (Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

“Não gosto de ficar em casa porque é muito quente. Então, ando para tudo quanto é lugar. Uma vez, fiquei três dias consecutivos em bailes, um atrás do outro”.

Figueiredo conta que a única reclamação que ele tem é sobre o tempo da música. “Tem cantor que faz uma canção muito comprida e, quando acaba, a camisa está toda molhada de suor”.

Vindo de longe

Ataíde Timóteo, 70, literalmente corta Cuiabá e Várzea Grande em busca de bailes. Ele mora no Pedra 90, mas frequenta as unidades do CPA e Coxipó.

Costuma ir ainda no Cristo Rei, em VG, e em outros pontos particulares.

Ataíde Timóteo diz que quer aproveitar a vida porque não levará nada da terra (Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

Ele entrou no mundo da dança em 2008. Naquele ano, ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 15 dias e quando saiu, as despesas consumiram grande parte do que ele tinha.

“Após ficar doente, eu vi que não vou levar nada. Agora, quero apenas aproveitar e me divertir”.

Junto com a vizinha, Marli Ferreira, 76, Ataíde passeia pelo salão e mostra sua versatilidade saindo do vanerão para lambadão sem titubear.

Clientes fieis

Há 18 anos, no dia 15 de setembro, Carmélia Borges da Silva, 81, entrava no Centro de Convivência Padre Firmo pela primeira vez.

Nesse dia, acontecia a inauguração do espaço, onde a idosa tem carteirinha de fidelidade.

“Eu gosto de vir. Na maioria das vezes, minha filha vem junto. Ela só tem 40 anos, mas gosta de dançar”.

Na tarde de quarta-feira(09), Carmélia combinou com um amigo, quando questionada sobre a relação, ela disse que na vida dela não cabe mais um namorado.

Bolero, lambadão de vanerão são os ritmos mais cobiçados pelos dançarinos (Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

“Hoje, homem acha mulher sozinha e quer namorar para mudar para casa dela. Eu não quero isto. Namorar não compensa. Eu quero só sair e dançar”.

Já Antônia Pedrosa de Moraes, 65, afirma que gosta de ter um namorado para combinar de sair e pronto. Ela conheceu seu atual companheiro de dança em um baile no bairro Campo Velho.

(Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

“Dançamos juntos várias vezes e combinamos de ir em outro baile. E assim foi indo até começarmos a namorar. Mas cada um no seu canto”.

Programação de Cuiabá

Na quarta-feira, os bailes são nos centros de convivência Padre Firmo (Porto) e Maria Ignês (CPA).

Na quinta-feira, é a vez do centro João Guerreiro, no Coxipó.

A unidade Aidee Pereira está em reforma.

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