Leishmaniose: uma doença quase extinta que volta a preocupar

Cuiabá é considerada área propícia para o desenvolvimento do mosquito que a transmite e não só os cães são seu alvo

(Foto: Freepik)

Há 30 anos, a leishmaniose era considerada uma parasitose em extinção. Mas, de lá para cá, a doença voltou e se espalhou pelo país inteiro. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em 2019, foram confirmados 1.623 casos em cães. Um problema porque a doença transmitida pela picada do “mosquito-palha”, afeta homens e animais.

“O número nos preocupa pois acreditamos que muitos tutores preferem não buscar ajuda porque desconhecem que, ao contrário do que acontecia anos atrás, quando os animais tinham que ser sacrificados, hoje existe tratamento”, diz a veterinária Lídia Torquato Ferreira.

Os cães são tidos como maiores culpados pela proliferação da doença, quando servem apenas como “reservatório” do protozoário. Algo que pode ser evitado com a vacina preventiva e uso da coleira ou pipeta repelente ao mosquito que transmite a doença.

E embora não exista cura para a leishmaniose, o tratamento adequado consegue diminuir a quantidade de parasitas no animal, proporcionando a ele qualidade de vida.

Lola sobreviveu

A Rottweiler Lola, de aproximadamente 4 anos, é um caso de sucesso no tratamento da doença.

A cachorra que escolheu a professora Beatriz Tramarin, como sua tutora quando parou no portão da casa dela, como que pedindo ajuda, foi diagnosticada com leishmaniose e rapidamente a equipe de veterinários, da Clínica Bellus, iniciou o tratamento.

“Lola estava muito fraquinha, tinha feridas na pele, os olhos remelentos e como foi ela quem ‘me encontrou’, não sabemos ao certo a idade dela, nem há quanto tempo estava doente. Apareceu na minha porta praticamente morta”, conta emocionada a professora.

Lola hoje vive bem na casa da professora Beatriz (Foto: Assessoria)

Até 2017, essa a leishmaniose era considerada uma doença fatal. Não havia medicamento autorizado no Brasil para tratamento canino e os diagnosticados eram sacrificados. Já para humanos, existe tratamento eficaz há décadas.

A veterinária Lídia Torquato Ferreira, que integra a equipe que tratou Lola, explica que o emagrecimento e a queda de pelo são alguns dos sintomas. Porém, em 50% dos casos a doença não se manifesta.

“Em virtude das grandes áreas de mata, de terrenos abandonados que viram depósitos de lixo, Cuiabá é uma cidade propicia para a reprodução do mosquito-palha e, ao contrário do que acontece com o mosquito da dengue, ele não necessita de água parada, o que dificulta o controle da sua reprodução”, explica a veterinária.

Prevenção

A prevenção é relativamente barata. A coleira repelente, que oferece proteção por 4 meses, custa em torno de R$ 100; já a pipeta, que tem validade de 30 dias, sai por R$ 30. E a vacina é comercializada por aproximadamente R$ 170.

“Nós recomendamos que a prevenção seja realizada em diversas frentes, ou seja, o tutor deve fazer a vacina, usar os repelentes e tomar cuidado com o ambiente em que o animal vive”, detalha a veterinária.

Também é importante o teste para saber se o cão já possui ou não a doença.

“Precisamos ressaltar que o animal não passa a doença para os humanos, mas um cachorro contaminado que não faz uso de repelente pode ser picado por um mosquito e esse, sim, pode transmitir a doença“, ela explica.

(Com Assessoria)

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