Kit merenda: diretores são obrigados a escolher quem precisa mais

Enquanto na rede estadual o problema é a falta de dinheiro, na rede municipal, o obstáculo está no cadastramento das famílias

Organização das cestas na Escola Estadual Jayme Veríssimo de Campos. Foto: (divulgação/Seduc)

Diretores de escolas de Mato Grosso agora vivem de fazer contas, ajustes e amarrações. A ideia é tentar atender a maior quantidade possível de alunos com os kits da merenda escolar, que estão sendo distribuídos enquanto não há aulas, por conta da pandemia do coronavírus.

No caso das escolas estaduais, os profissionais precisam reverter os valores da merenda em sacolões de R$ 45, lembrando que, mensalmente, um aluno deve consumir R$ 11,44 na hora do lanche.

Diretores de escolas estaduais podem gastar no máximo R$ 11 com a merenda de casa aluno por mês (Foto: Arquivo)

O cálculo é baseado nos repasses feitos pelos governos estadual e municipal de R$ 0,52 por dia para cada estudante. Centavos que, em tese, teriam que garantir 25% das necessidades diárias de uma criança.

Seguindo esta lógica, podemos concluir que será um sacolão para cada quatro alunos matriculados.

Coordenadora do Colegiado de Diretores da Escolas Estaduais, Nara Garcia conta que é preciso conhecer as famílias para fazer uma distribuição o mais justa possível. Ela atua na Escola Estadual Alina Tocantins, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá, onde estão matriculados 500 alunos e serão oferecidos 160 kits.

“Não tem como oferecer para todo mundo e, quanto mais carente a comunidade, mais difícil, porque aumenta a demanda”, argumenta.

Mudanças que atrapalham

Nos primeiros kits, entregues no mês passado, eram incluídos apenas produtos não perecíveis. Agora, foram exigidos a troca do macarrão, farinha e molho de tomate por produtos da agricultura familiar.

A ideia é boa, porém não considera a logística de distribuição. Em algumas escolas, as família demoram para ir buscar e o risco do alimento estragar é grande.

“Aqui eu fiz algumas adaptações. Por exemplo: substitui a folhosa, que poderia ser alface ou rúcula, por repolho, para durar mais”, esclarece.

Mesmo assim, a professora considera que a decisão pode resultar em perdas.

Seduc quer que folhas sejam incluídas na cesta, mas professores temem pela qualidade. Foto: (Embrapa/Ana Lucia Ferreira)

Cada kit da merenda escolar das escolas estaduais contempla: 1 pacote de 5 kg de arroz, 1 pacote de 1 kg de feijão, 1 litro de leite, 1 kg de frango e mais 3 opções de legumes e uma folhosa.

Até o mês passado, apenas as crianças inscritas no Bolsa Família podia ser atendidas. Porém, este mês, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) flexibilizou a regra para que outras famílias que passam dificuldades sejam atendidas.

Falha no cadastramento

Nas escolas municipais, o problema não é perecibilidade dos alimentos. Coordenador do Colegiado dos Diretores das Escolas Municipais, Ednilson de Carvalho conta que a cesta básica é oferecidas apenas para os estudantes que estão cadastrados no Bolsa Família.

Segundo ele, o problema é que muitas pessoas têm direito ao Bolsa Família, mas não conseguem fazer a inscrição, sendo assim, acabam excluídos do kit merenda.

Ao contrário das escolas estaduais, as unidades da prefeitura recebem as cestas já prontas, apenas para a distribuição. A quantidade é calculada conforme a quantidade de alunos que estão cadastrados no programa federal.

Carvalho conta que há uma parceria com a Secretaria Municipal Assistência Social para atualização e regularização das famílias anualmente, porém quando o mutirão iria começar nas escolas, a pandemia foi decretada e a ação suspensa.

Além da falta de regularização e cadastro, outro problema enfrentado é a logística. Conforme o professor, é preciso se fazer uma verdadeira mobilização entre professores, técnicos e até mesmo voluntários.

“Um processo que é difícil na área urbana e ainda mais desafiador na zona rural”.

Prefeitura nega problemas

Responsável pelo Cadastro Único em Cuiabá, Claudete Orso assegura que o município não tem nenhum problema com os cadastros do Bolsa Família. Segundo ela, todas as pessoas que solicitam a inserção no programa e atendem os critérios exigidos pelo governo são atendidas, ou seja, não há fila de espera.

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