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Justiça manda prender coronel e PM por grampos ilegais

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Redação

Governo de Mato Grosso

Coronel Zaqueu Barbosa

Coronel Zaqueu Barbosa, denunciado pelo promotor Mauro Zaque, então secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, em segundo plano

A Justiça de Mato Grosso expediu mandados de prisão contra o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da Polícia Militar, e contra o cabo Gerson Luiz Ferreira Golveia Júnior por suspeita de envolvimento em escutas ilegais, num esquema conhecido como “barriga de aluguel”.

A decisão é do juiz Marcos Faleiro da Silva, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar e se refere à suspeita do envolvimento de ambos com um suposto esquema de grampos clandestinos operado por policiais militares. “O suposto esquema (…) tinha a a finalidade de espionagem política, escuta de advogados no exercício da sua função, jornalistas, desembargadores, deputados, médicos (…) inclusive de ‘amantes’ de poderososo”, disse o juiz, em trecho da decisão.

Militares x Zaque
Os dois militares estão no centro das denúncias feitas pelo promotor Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública. Quando ainda estava no governo, Zaque afirma ter alertado o governador sobre as suspeitas de escutas ilegais e pediu a demissão do então comandante da PM. Taques afirma que as denúncias não foram formalizadas e que o assunto se tratava de uma “rusga” entre os dois. Já o cabo Gerson Ferreira era integrante do Núcleo de Inteligência da PM e assinou alguns pedidos de grampos à Justiça.

Na decisão, o juiz afirma que Zaqueu é “apontado como mandante das ordens de ações militares de interceptações telefônicas” e “mantinha contato pessoal com magistrados para viabilizar os grampos clandestinos”. O magistrado manifesta preocupação com a presença do cabo Gerson Ferreira na Casa Militar, citando que ele “tem acesso ao software e hardware de interceptação militar, o que facilita ingressar no sistema para consumir, apagar e/ou destruir provas/indícios de crime.”

Entenda o caso
O esquema de grampos ilegais veio à tona no dia 11 de maio, quando o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, pediu exoneração do cargo. O esquema teve início nas eleições de 2014, quando Silval Barbosa (PMDB) era governador e Pedro Taques (PSDB) disputava as eleições. Em 2015, depois da vitória de Taques, novos nomes foram incluídos. A manobra é conhecida como barriga de aluguel: números de pessoas comuns, sem qualquer ligação com uma investigação, são colocados num pedido de quebra de sigilo à Justiça. 

As denúncias foram feitas pelo promotor e ex-secretário de Segurança Pública (Sesp) Mauro Zaque, amigo do tucano havia mais de 20 anos. Zaque afirma ter avisado o governador Pedro Taques, por diversas vezes, sobre os grampos. O governador afirmou que denúncias verbais eram “fofoca” e que a documentação com a denúncia nunca chegou às suas mãos.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Ministério Público Estadual (MPE) já determinaram varreduras nos pedidos de interceptações telefônicas autorizados desde 2014. A Polícia Militar (PM) abriu uma investigação interna, e a denúncia também foi remetida à Procuradoria Geral da República (PGR). 

 

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