Justiça declara prescrito processo em que Júlio Campos era acusado de assassinato

Desde o início do caso, a defesa argumentava que o político só foi envolvido por questões “midiáticas”

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Ex-governador de Mato Grosso e agora pré-candidato ao Senado, Júlio Campos conseguiu a prescrição de um processo criminal em que ele era acusado de assassinato. A ação tramitava na Justiça de São Paulo e tratava da morte de duas pessoas.

O empresário Antônio Ribeiro Filho e o geólogo Nicolau Ladislau Ervin Haraly foram assassinados em 2004, no Guarujá (SP), supostamente à mando do político. A motivação, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), seria o interesse de Júlio Campos em apropriar-se de terras ricas em pedras preciosas.

Desde 2017, a defesa do político, sob o advogado Paulo Fabrinny, argumentava a necessidade de prescrição. Na época, o processo foi remetido à Justiça de São Paulo, dado o fim do foro privilegiado de Júlio Campos – seu último mandato eletivo foi no cargo de deputado federal e se encerrou em 2014.

O principal argumento nesse sentido era o fato de a denúncia só ter sido recebida pela Justiça 11 anos depois do fato ocorrido. Além disso, a idade de Júlio Campos, então já com 70 anos, lhe dava o direito de ter o prazo prescricional reduzido pela metade.

Em 2017, a Justiça de São Paulo negou o pedido. O entendimento foi que o prazo prescricional passou a contar novamente quando outros dois acusados pelo mesmo crime foram condenados, em março de 2015.

Isso sem contar com o fato de o Ministério Público de São Paulo ter reapresentado a denúncia contra Júlio Campos naquele mesmo ano, dado o fim de seu foro privilegiado.

Mas a defesa do político recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e lá conseguiu uma determinação de reanalise do pedido. A nova decisão, dessa vez, a favor de Júlio Campos, foi proferida no último dia 20.

Caso arquivado

Júlio Campos se tornou suspeito de envolvimento no crime porque, após os assassinatos, as terras que teriam motivado o crime teriam sido transferidas – supostamente de forma fraudulenta – para dois “laranjas”, um deles uma secretária que trabalhava com o político.

Os processos que travavam da suposta fraude e estelionato, segundo o advogado Paulo Fabrinny, acabaram igualmente extintos há cerca de cinco anos.

Desde o início do caso, a defesa de Júlio Campos argumentava que o político só se tornou suspeito por questões “midiáticas”.

Sustentava que os delegados responsáveis pelo inquérito não consideraram outras duas hipóteses para o crime: uma envolvendo um caso extraconjugal da esposa de uma das vítimas e outra relacionada a outras pessoas com quem os homens assassinados disputavam terras.

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