Juros fecham em baixa com otimismo sobre Selic e expectativa com denúncia

Reprodução Agência Brasil

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Os juros futuros fecharam em queda neta quinta-feira, 14, tanto nos vencimentos curtos quanto nos longos, refletindo a expectativa de manutenção de um cenário benigno para a inflação e Selic reforçada por uma entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e também pela percepção de que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, cuja apresentação pela Procuradoria-Geral da República (PGR) é esperada para ainda hoje, não deve abalar o governo. Também contribuiu para o recuo das taxas futuras o fato de o leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), de 7,5 milhões de títulos, ter sido menor do que o anterior (9 milhões).

Ao final da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 (321.745 contratos) estava em 7,54%, de 7,56% no ajuste de ontem; a taxa do DI para janeiro de 2021 (163.390 contratos) em 8,93% (mínima), de 9,01% ontem no ajuste; e a do DI para janeiro de 2023 (37.985 contratos) caiu de 9,64% para 9,55% (mínima).

O dólar aprofundou a queda e no segmento à vista era negociado em R$ 3,1170 (-0,69%) às 16h46, o que também teria colaborado para que as principais taxas de juros de longo prazo fechassem nas mínimas. Operadores relatam que há grande expectativa no mercado por um anúncio de rolagem, total ou parcial, do vencimento de cerca de US$ 10 bilhões em contratos de swap no início de outubro.

As taxas estiveram em trajetória de baixa desde a parte da manhã. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Ilan reiterou a sinalização dada na ata e no comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de que “se as condições permanecerem” uma redução moderada no ritmo de queda da Selic em outubro deve se mostrar adequada. Evitou, no entanto, cravar se a aposta do mercado de que a redução será de 0,75 está correta, assim como se os juros terminarão o ciclo de afrouxamento na casa de 6% ou 7%.

Para o economista da BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, a entrevista “tem um viés tanto quanto mais dovish”. “Ele pontua que é data dependent, não coloca uma barreira para a queda do juro se a inflação continuar surpreendendo”, disse.

Na política, a PGR estaria trabalhando para protocolar, ainda hoje, simultaneamente, a nova denúncia contra Temer e a rescisão do acordo de delação dos executivos do grupo J&F, o que implica a revogação da imunidade penal concedida inicialmente a Joesley Batista, dono do grupo, e aos demais executivos da empresa. A rescisão do acordo abre caminho para Janot denunciar, junto com Temer, executivos do grupo. A previsão é que Joesley seja denunciado por obstrução de justiça junto com o presidente da República, conforme antecipou a coluna de Vera Magalhães no Broadcast Político.

(Com Agência Estado)

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