14 de abril de 2026 07:13
Crônicas Policiais

Julgamento de assassinato no Shopping Popular põe mãe, filho e pistoleiro frente ao júri

Foto de Lucas Bellinello
Lucas Bellinello

O julgamento dos três acusados pelo duplo homicídio ocorrido dentro do Shopping Popular de Cuiabá, em novembro de 2023, começou na manhã desta quarta-feira (12), no Fórum da Capital. Sentam no banco dos réus a mãe e o filho, Jocilene Barreiro da Silva e Vanderley Barreiro da Silva, apontados como mandantes, além do pistoleiro Sílvio Júnior Peixoto, contratado para executar o crime.

As vítimas foram o comerciante Gersino Rosa dos Santos, conhecido como Nenê Games, e o vendedor Cleyton de Oliveira de Souza Paulino, morto por engano durante o atentado.

O caso é conduzido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, e faz parte das ações do Mês Nacional do Júri, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que prevê mais de 200 julgamentos em Mato Grosso durante novembro.

Início da sessão

Logo cedo, o júri foi sorteado, composto por cinco mulheres e dois homens. O primeiro a depor foi o delegado Nilson André Farias de Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação.

Ele lembrou que o crime causou forte comoção por ter ocorrido em um dos locais mais movimentados da capital. “Duas vítimas caídas ao solo, projéteis e cápsulas no chão, imagens de câmeras… A partir disso conseguimos identificar o executor e, com o apoio da população, chegar aos mandantes”, relatou.

Relembre o crime

Conforme o Ministério Público, Jocilene e Vanderley mandaram matar Gersino por vingança. O filho da acusada, conhecido como “Maranhão”, havia sido assassinado dias antes no bairro Santa Laura, e a família acreditava que o lojista teria envolvimento no crime.

O pistoleiro Sílvio Júnior, de 26 anos, foi contratado em Minas Gerais por R$ 10 mil para executar a vítima. No dia 23 de novembro de 2023, ele entrou no shopping, se aproximou de Gersino e atirou duas vezes contra a nuca do comerciante. Um dos disparos atravessou o corpo de Gersino e atingiu Cleyton, que estava próximo.

Sílvio confessou o crime e disse que só deveria matar Gersino — o segundo tiro foi “erro de trajetória”.

Câmeras de segurança do Shopping Popular e do bairro Dom Aquino registraram o momento dos disparos e o trajeto do atirador ao fugir, inclusive quando ele descartou a camisa usada no crime.

Acusação

Os três respondem por homicídio duplamente qualificado, com agravantes de motivo torpe (vingança), mandantes identificados e duplo resultado.

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