Juiz determina que estudantes desocupem prédios da UFMT

Estudantes lutam contra aumento de refeição que poderá passar de R$ 1 para R$ 11

Reitora da UFMT recuou após pressão dos estudantes (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Os estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que ocupam o campus em protesto contra o aumento do valor da refeição do Restaurante Universitário, tiveram mais uma derrota nesta sexta-feira (11). O juiz federal Raphael Casella de Almeida Carvalho determinou uma nova reintegração de posse e manteve a aplicação da multa diária de R$ 5 mil, que desta vez será destinada a uma única pessoa: a estudante Vitória Cosmo Dias dos Santos, presidente do Centro Acadêmico do Curso de Direito.

O magistrado considerou que a mudança do local da ocupação – que passou da guarita da universidade para o interior dos blocos – descumpriu a primeira decisão de desocupação. Dias após a reintegração, o Diretório Central Acadêmico da UFMT deflagrou tanto a greve quanto a ocupação geral, aderindo a um movimento autônomo que começou em fevereiro deste ano, liderado por estudantes indignados com o aumento de R$ 1 para R$ 11 nas refeições. A reitoria anunciou uma nova proposta para a política de alimentação da universidade, com subsídio de 50% sobre os valores das refeições, que passariam a custar R$ 5.

A fixação do nome da estudante de Direito, segundo o magistrado, serviu para poder ter em quem aplicar a multa em caso de novo descumprimento da decisão. O nome de Vitória foi incluído baseado em um ofício recebido pelo juiz em que a discente era citada. Até então, as partes do processo estavam pouco claras e o processo era movido contra “Discentes não identificados”.

“A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela foi bem abrangente quanto à extensão do imóvel a ser desocupado. A decisão não determinou apenas desocupação da Reitoria, laboratório, salas de aula e guaritas de acesso à UFMT, mas de qualquer prédio da UFMT”, explicou o juiz federal.

Mesmo com a reintegração, executada na segunda-feira (07), os estudantes permaneceram mobilizados dentro do campus. Com a deflagração de uma greve geral, o cenário parecia positivo quando a Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat) aprovou indicativo de greve, assunto que deve ser discutido na próxima terça-feira (15).

Até aqui, a reitora da universidade fez poucas menções em negociar o reajuste, anunciado sem consulta aos discentes, segundo o DCE. O LIVRE mostrou que a principal beneficiada com o dinheiro da alimentação estudantil é a empresa Novo Sabor Refeições Coletivas Ltda., que tem como sócio o empresário Alan Malouf, envolvido em investigações policiais.

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