Jornalista cuiabana abandona carreira e parte para Índia em busca de espiritualidade

Junto economias e foi buscar autoconhecimento na cultura milenar indiana. Capacitada por mestres, neste ano abriu Centro Terapêutico na Chapada Diamantina

Ela já trabalhou em site, jornal impresso e assessoria, não nessa ordem, mas durante boa parte do tempo, acumulando empregos. Estava sempre com pressa. Um loop diário de acordar, trabalhar, deitar, acordar, trabalhar e assim por diante. Estava empregada, morava sozinha, se mantinha de forma independente e ainda tinha poder de consumo. Mas faltava algo.

“O descontentamento foi a peça-chave para que mudanças fossem feitas. Eu não ignorei estas insatisfações. Aos poucos, consegui fazer despertar a Nayara que estava perdida em algum lugar dentro de mim”. Esse testemunho é da jornalista cuiabana, Nayara Rafaela, que largou tudo em nome de seu bem-estar e hoje, dedica sua vivência ao autoconhecimento e também, a ajudar na condução de gente que tem os mesmos anseios.

“Um dia, eu estava escrevendo uma matéria ao mesmo tempo que fazia uma entrevista por telefone e com mais outra matéria esperando ser escrita. Desliguei o telefone. Um pássaro veio até a janela, bem na minha frente, assoviou e abriu asas voando paro alto. Foi singelo e memorável para mim aquilo. Ali eu entendi que quem estava na gaiola era eu. E em uma gaiola onde eu me aprisionava sozinha”. Foi então, que saltou rumo ao desconhecido.

Juntou todas suas economias e de Cuiabá foi para a Bahia, se estabelecendo na Chapada Diamantina. De 2014 para cá, ela segue entre a região do Vale do Capão e a Índia, onde vai buscar cada vez mais conhecimento. Inspirada pelos preceitos do Ayurveda, realizou uma transformação em sua vida estimulada por uma nova atitude mental em relação a ela. Aprendeu a meditar, comer e a dormir melhor, a treinar a mente e extravasar as emoções tóxicas, tendo plena consciência de seu corpo e do propósito de sua existência.

Hospedagem terapêutica na Chapada Diamantina

No mês passado, ao lado do companheiro Lucas Bohrer de Moraes abriu no recanto baiano, o Centro de Terapias e Hospedagem Adhipati, com a proposta do hóspede vivenciar dia de autos-cuidados e relaxamento em meio à natureza. Ela também possui uma marca, a Amri Néctar de Vida, que vende produtos artesanais para a pele e cabelos, 100% naturais, feitos a partir de extratos de ervas e flores medicinais, óleos essenciais e vegetais e manteigas da Amazônia.

A proposta do centro terapêutico é ofertar cursos de autoconhecimento, sessões de tarô, massagens, sauna e tratamentos do Ayurveda. “O hóspede pode montar seu próprio cronograma de tratamento”, explica. “Além disso, pode agendar via internet ou presencialmente uma anamnese completa (consulta) com um de nossos terapeutas para definir o tratamento indicado”.

O centro agenda viagens para cursos de formação e vivências espirituais em Coimbatore, ao sul da Índia. “Muitas pessoas seguem até lá em busca de cura e transformação social. As vivências contam com sessões de yoga, meditação e peregrinação de cinco dias por lugares sagrados. Contamos com o auxílio de mestres e gurus indianos”.

Foi assim, que ela aprendeu todas as técnicas que emprega no novo trabalho. “No Adhipati faço também consulta de tarô terapêutico, que não é uma adivinhação. Por meio das cartas do tarô de Marselha o consulente é guiado para se comunicar com seu subconsciente de forma a trazer à tona, mensagens e anseios profundos de seu ser que por diversos fatores externos, como a vida agitada e o estresse, a exemplo, por vezes não consegue acessar”, explica. E essa consulta – que chega a durar em torno de 40 minutos – pode ser feita também via Skype.

“Neste espaço, partilhamos nossos conhecimentos do ayurveda, yoga, meditação e astrologia, tudo por meio da vivência, cursos e workshops, além da hospedagem terapêutica”.

Cada vez mais o ayurveda tem ganhado adeptos no Brasil. O milenar sistema de saúde vindo da Índia, propõe restabelecer o bem-estar físico e emocional.

“Em 2014, juntei dinheiro para viajar em busca de iniciações espirituais e tudo conspirou para que eu chegasse até a Chapada Diamantina. Depois de três anos neste lugar, conheci Ayurveda e viajei para a Índia. Esse importante passo foi o que me levou até meu Guru, Swamiji Jagadathmananda, de quem recebi iniciação a Astrologia Védica e Meditação Sri Vidya. Recebi dele mantras que ajudam o discípulo a desenvolver suas virtudes, o”Shaktipat”, que é uma benção no Ajna Chakra, uma forma de conceder ao discípulo força espiritual e “Drishti”, uma espécie de limpeza energética contra negativas vibrações com mantras. Para minha surpresa, aqui descobri que é o Guru que escolhe o discípulo. Aqui aprendi também que mergulhar nos anseios de nossa alma é um ato de coragem. E um caminho sem volta”.

Todos os dias a cuiabana que tem família vivendo ainda hoje na região da Baía de Chacororé, em Barão de Melgaço, já descobriu sua missão. “No começo rolou um impasse, mas minha família me apoia muito. É lógico que eles preferiam também uma vida mais ‘segura’ pra mim. Mas com o tempo eles começaram a ver que à medida em que eu me aproximava mais das terapias, e de tudo que faço hoje, me aproximava ainda mais deles também”.

“Nossa mente tende a nos trazer o pensamento de que a nossa missão está relacionada a algo ou algum propósito distante, a ser realizado no futuro ou em um tempo que não seja o agora. Mas eu acredito que a todo momento cumprimos esse destino. Todos os dias aprimorando nossas virtudes e nos permitindo a fazer o bem em prol de nós mesmos e do próximo”.

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