Jogo eleitoral: partidos pequenos perdem força e quase somem do quadro político em MT

Cientista político alerta que a estratégia por dar errado porque deixa a concorrência acirrada dentro dos grupos em evidência

JLSiqueira/ALMT

Políticos de Mato Grosso deixaram os partidos pequenos durante a janela eleitoral de migração para tentar manter os seus mandatos em outubro. As mudanças colocaram fim à ascensão dos pequenos, que ficaram em destaque por menos quatro anos. 

Esses partidos praticamente desaparecem do quadro de deputados estaduais e federais. Na Câmara Federal, houve prevalência do PL, grupo do presidente Jair Bolsonaro, e do MDB. Juntos eles conseguiram atrair todos os parlamentares que estavam nas siglas novatas. 

José Medeiros e Nelson Barbudo, antes no Podemos e no União Brasil, respectivamente, migraram para o PL. A estratégia de troca de partidos mudou totalmente na comparação a 2018, quando se elegeram para os cargos atuais.  

Barbudo se filiara ao PSL para a manter a associação ao então candidato à Presidência, e Medeiros permaneceu em um grupo que não tivesse um histórico de associação com partidos mais tradicionais. 

Desta vez, eles trocaram os nanicos, mantendo a estratégia de seguir de perto Bolsonaro, mas passaram a ficar próximo dos tradicionais. O PL está sob o comando de Valdemar Costa Neto, ex-deputado federal de seis mandatos e condenado no processo do mensalão. 

Emanuelzinho trocou PTB pelo MDB, partido de centro e considerado fisiológico, ou seja, atua no Congresso Nacional de acordo com a política do presidente em exercício. Em Mato Grosso, a sigla está fortemente associada a políticos da velha guarda, como Carlos Bezerra e o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, pai do parlamentar. 

Leonardo Albuquerque também deixou a navegação no pequeno SD para filiar-se ao Republicanos, outra sigla integrante do centrão no Congresso. O Republicanos ficou no top 3 dos partidos que mais receberam novas filiações durante a janela. Os outros são PL e PP. 

Assembleia Legislativa 

Na composição estadual, o União Brasil e o PL deram as cartas no troca-troca de partidos. O PL atraiu quase todos os integrantes do extinto PSL (Partido Social Liberal), que estranharam a fusão com o DEM em União Brasil. 

Estão na lista, Gilberto Cattani, delegado Claudinei. Somente Ulysses Moraes manteve-se em sigla novata, o PTB – porém, mais por falta de espaço em grupos maiores do que por escolha própria.  

Elizeu Nascimento, ex DC, é outro migrante dos pequenos para os grandes. Ele entrou no PL com a justificativa de simpatia por Bolsonaro. 

O União Brasil fechou com os demais deputados nos nanicos. Xuxu Dal Molin deixou e Sebastião Rezende deixaram o Partido Social Cristão (PSC). Conforme o presidente do União, Fábio Garcia, eles assinaram filiação na reta final do prazo. 

Risco de frustração 

“Muitos trocaram de partido já com a cabeça de eleito, ou seja, eles não quiseram ficar no partido que lhe dariam apoio nenhum para fazer a política partidária, se mostrarem para o público”, diz o cientista político João Edisom. 

Contudo, segundo ele, as próximas semanas podem gerar mágoas nos novos filiados, visto que se tende a intensificar as negociações para a federação partidária. Caso alguma seja concretizada, a demanda por espaço vai aumentar. 

“É um fato que os partidos estão congestionados, mas isso pode piorar, porque se for fechado acordo de federação em nível federal, os diretórios regionais terão que a acatar, e o espaço para 25 candidatos continua o mesmo independente de quantos partidos entrarem na federação”, comenta. 

Dois caminhos se cruzam neste ponto, a garantia de espaço nas propagandas eleitorais e o tamanho de fatia do Fundo Eleitoral para as campanhas. A regra da justiça eleitoral é que a federação dura quatro anos e a soma dos recursos partidários deve ser distribuída sem secção. 

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorEndividamento das famílias cresce pelo segundo mês consecutivo em Cuiabá
Próximo artigoVencimento adiado