Janot nega ter orientado donos da JBS a gravar conversa com Temer

Delação feita enquanto ele era procurador-geral da República foi questionada por políticos

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot negou que tenha orientado os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos da JBS S/A, a gravar as conversas para fechar acordo de colaboração premiada com a Justiça. Janot esteve em Cuiabá na quinta-feira (17) para participar de um encontro de estudantes no Centro de Eventos do Pantanal.

“Isso é uma completa inverdade. Quem fala isso está tentando interferir no andamento das investigações e manchar as provas colhidas. Eu não sei a quem interessa atrapalhar as investigações conduzidas pelo Ministério Público, mas muito provavelmente são aqueles que estão sendo acusados nestas mesmas ações”, disse.

O ex-procurador-geral da República esteve no Centro de Eventos do Pantanal para participar do Encontro Mato-Grossense de Estudantes e Profissionais das Áreas de Direito, Administração, Contabilidade, Economia e Marketing (Ecomep). O LIVRE é um dos apoiadores do evento.

Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente Michel Temer (MDB) em março de 2017. O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que o diálogo em que o presidente aparece dizendo “tem que manter isso, viu” seria uma autorização de Temer para o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha. O pagamento serviria para evitar que ele buscasse um acordo de colaboração premiada.

Uma Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) mista, formada por deputados e senadores no Congresso Nacional, concluiu que a Procuradoria Geral da República (PGR) teria orientado os delatores a gravar conversas.

Além de negar a orientação, o procurador Rodrigo Janot defendeu a validade das provas colhidas. “Nós… O país inteiro viu um assessor do presidente da República carregando uma mala cheia de dinheiro e entregando-a. Se isso não é prova, eu não sei o que é”, disse.

O procurador afirmou que não houve “revisão do acordo” com os donos da JBS, mas sim a “quebra do acordo” e a suspensão dos benefícios. Os empresários são acusados de utilizar informações privilegiados obtidas nas tratativas com a PGR para comprar e vender ações antes da divulgação da delação premiada. As provas continuam válidas, afirmou o procurador.

A Câmara dos Deputados não autorizou o andamento das investigações contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) – ele deve ser processado quando deixar o mandato de presidente. Janot defendeu que a PGR realizou um trabalho “eminentemente técnico” e que à Câmara cabia a questão política.

Janot ainda ressaltou a importância a delação premiada como um instrumento de combate à corrupção no país. “Com relação à delação premiada, é um caminho que se escolhe. Existe um criminoso que, para que ele nos entregue outros membros da organização criminosa e provas dos crimes cometidos, nós temos que dar alguns benefícios a ele. Então se escolhe dar estes benefícios para um, ou alguns dos membros, para se chegar a todos os fatos e envolvidos”, disse.

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