Ivan Belém encena monólogo Progresso, no Teatro da UFMT nesta sexta-feira

Peça dramática protagonizada por Ivan Belém revela homem em crise por ver todos os valores que ele acreditava como importantes, se dissolverem

(Foto: Reprodução/O Livre)

Ator da vanguarda mato-grossense, Ivan Belém, protagoniza o monólogo Progresso, nesta sexta-feira (22),  no Teatro da UFMT. O texto é do escritor Eduardo Mahon, e a direção, de Luiz Marchetti. Para o ator que completa 40 anos de carreira, o projeto teatral é um presente e ressignifica sua trajetória.

A peça estreou em outubro deste ano, mas para Ivan, é como se fosse a primeira apresentação. “Volto cinco meses depois, mas parece que estou estreando mais uma vez. É um eterno recomeçar”.

E essa avaliação reflete o panorama do segmento em Mato Grosso. Com a propriedade de um artista que tem quatro décadas de atuação no teatro, ajudando a escrever essa história: no início, como precursor do teatro de rua, passando pela parceria com o ator Liu Arruda com que se apresentava em espaços alternativos da capital e ainda, tendo se dedicado à arte circense, ao rádio, TV e Cinema.

“É um eterno recomeçar, pois veja só, ainda não temos uma política pública de difusão do teatro, que garanta que a gente possa estar em cartaz. Aluguel de teatro é caro, uma nova montagem é cara… Mas enfim, estou muito feliz com este espetáculo pois é completamente diferente de tudo que eu já fiz. É um espetáculo solo, multimeios e eu estou trabalhando com uma equipe com a qual nunca trabalhei. É uma oportunidade que há muito tempo estou querendo me dar, de fazer coisa diferente, de me reinventar”, declara, agradecido pelo momento.

“Eu acho que sobretudo que a peça é um ato de resistência, porque fazer teatro não é fácil ainda mais em Cuiabá, que é uma cidade que está distante dos grandes centros, que parece um outro Brasil e aqui as condições são mais adversas”.

Multimídia

O diretor, Luiz Marchetti, diz que neste espetáculo há uma ruptura das fronteiras, com teatro, performance e audiovisual. “Há uma valorização conceitual quando o artista explora multimeios. Criamos uma espécie de filme em que ao mesmo tempo aparece o que o personagem está pensando e o que ele está falando. É uma espécie de filme, com memórias e um ator rente ao telão, no presente”, conceitua.

“Eduardo Mahon criou um texto de muito afeto. Uma peça sobre a incapacidade do ser humano de se refazer diante de uma cidade. O personagem tem muitas nuances. Pode ser dramático e ser divertido, como quando lamenta a perda das árvores ou xinga as pessoas na janela”, sorri.

Segundo ele, o personagem é bem humano que no início impacta por seu comportamento agressivo, mas que desperta comoção. “Mas é mesmo uma sorte poder participar deste grande momento de Ivan, um dos mais importantes artistas do Brasil”.

Marchetti realça que o sucesso do projeto deve ser creditado também, à equipe, que tem Caio Ribeiro na direção e preparação cênica, Douglas Perón, na cenografia e que conta ainda, com o bom gosto da trilha de Einstein Hawking e edição e montagem, de Jéssica Ribeiro.

Um drama sobre o tempo

O autor do monólogo protagonizado por Ivan Belém, o escritor Eduardo Mahon, destaca a versatilidade do ator. Reconhecido também, pela veia humorística, Ivan Belém revela que tem inclinação para o drama.

“A peça é um drama, não chega a ser uma tragédia. É sobre um homem idoso, sozinho que fica neurastênico e frustrado por ver todos os valores que ele acreditava como importantes, se dissolverem. Então o que ele entendia que era importante, como tradição, conhecimento, enfim, que eram valores comunitários de uma cidade pequena, perderam sentido no crescimento dessa cidade”.

O personagem se perturba quando percebe que o espaço onde vive, o centro da cidade, foi desconfigurado, mudou sua geografia. “E o que é mais importante, que houve uma ressignificação para baixo, para o mal. Então, o empobrecimento desses valores, desse homem, dessa família, dessa realidade, vai causar a perplexidade dele. E um belo dia ele não aguenta mais. Se vê absolutamente deslocado do que ele ele estava acostumado”, relata Mahon.

Segundo ele, é um drama. E um drama sério. Sobre as transformações e o tempo, o esquecimento, a memória. “Todas essas questões estão articuladas no texto e fico muito feliz com a interpretação do Ivan que é conhecido como ator, humorista, mas que acho um ator completo, essa peça prova que ele é um ator completo”.

Mas questionado se há relação entre esta cidade e Cuiabá, o autor esclarece: “é uma história de qualquer cidade pequena que se desintegra, ou desintegra o núcleo comunitário dela. Também pode ser Cuiabá, claro”.

Novo Livro

Na ocasião, Eduardo Mahon lança o livro “A gente era obrigada a ser feliz”, o primeiro romance histórico. Segundo o autor, o livro compreende 50 anos de turbulências, vistos por um personagem bastante atípico.

“Ele é um cavalariço de quartel e vê a vida pelos olhos dos cavalos. O que é bom para eles é bom para o Brasil e vice-versa. É uma provocação que estou fazendo para se rever a história por um olhar, por uma ótica bastante diferente ou pelo menos mais equilibrada do que estamos acostumados a ver hoje, sobretudo agora, que o Brasil se dividiu de uma maneira maniqueísta”.

 

 

 

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