Os trabalhadores que terão isenção do Imposto de Renda (IR) podem economizar acima de um salário-mínimo ao longo do ano, a partir de 2026. Mas o alívio da tributação pode não ser sentido por muito tempo. O aspecto negativo pode ser visto já no cenário atual do país.
O mestre em economia pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), Fernando Henrique da Conceição Dias, diz que a isenção não resolve o problema do ganho real no salário, e os juros e a inflação podem se juntar a isso e corroer o dinheiro que agora é cogitado como economia.
“A isenção tem importância, porque pega uma faixa significativa dos brasileiros que ganham até R$ 5 mil [por mês]. Mas a gente tem problema do ganho real e sofremos com a inflação, que está razoavelmente controlada, porém, alta. Isso interfere diretamente no custo [de sobrevivência] das famílias”, disse.
O ganho real é um termo usado por economistas para indicar que o salário que os trabalhadores recebem está acima da inflação. Pela lógica, a renda precisaria ser corrigida a todo do ano acima do aumento dos preços, que é a inflação.
A isenção do Imposto de Renda, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados, deve aliviar a cobrança para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês ou R$ 60 mil ao ano.
O impacto dessa isenção pode superar o valor de um salário-mínimo ao longo do ano, depois que a regra entrar em vigor. A quantia depende da renda cada um. Mas, segundo economista Fernando Henrique, é possível identificar uma média.
“Um motorista que ganha R$ 3,5 mil vai, aproximadamente, R$ 1.058, por ano, de economia. Uma pessoa que ganha R$ 4,9 mil vai uma economia de aproximadamente R$ 2 mil”, disse.
Segundo o especialista, a intenção da isenção é criar um ganho real para as famílias com renda até R$ 5 mil. Porém, outros fatores que também impactam a renda, como a inflação, juros e alta do dólar, podem anulá-la, porque o descontrole deles fazer os preços continuarem a subir.
“Os juros precisam sempre estarem controlados. Se a nossa moeda estiver fraca, isso impacta diretamente no dia a dia das famílias. Tem que fazer o dever de casa também [controle dos gastos pelo governo], não adianta só isentar, porque o governo também vai deixar de arrecadar”, afirmou.
O economista diz que existe o risco real de que a proposta apenas “maquie” a melhora na renda dos trabalhadores, com a percepção de economia no curto prazo, mas pode haver perda do dinheiro num tempo mais longo. O projeto de lei de isenção do IR continua em tramitação no Congresso. O Senado ainda votará a proposta.




