Intoxicação alimentar: saiba o que a Vigilância Sanitária procura no restaurante em que você almoça

Um caso recente em uma churrascaria de Cuiabá acendeu o alerta. Alguns pontos podem ser conferidos pelo próprio consumidor

Alguns clientes foram parar no hospital depois de comerem em uma churrascaria da capital (Ilustrativa/Pixabay)

Mensalmente, a Vigilância Sanitária de Cuiabá recebe cerca de 80 denúncias de irregularidades em restaurantes, lanchonetes e supermercados da Capital.

Depois de acolhidas as reclamações, o local é inspecionado. Se for o caso de intoxicação, é gerado também, um relatório epidemiológico.

Foi o caso de uma churrascaria “cinco estrelas” em Cuiabá. No fim de dezembro, muitas pessoas queixaram-se de ter passado mal depois de comerem lá. Alguns foram parar no hospital por conta de intoxicação alimentar.

Sobre este caso, o gerente da Vigilância Sanitária, Divalmo Mendonça, explica que, logo depois de acolhidas as denúncias, a visita técnica foi feita. Nela, foram avaliados vários pontos que sempre são alvo da fiscalização.

  • Higiene do local, dos manipuladores e dos equipamentos
  • Manipulação e conservação dos alimentos preparados
  • Conservação e recebimento da matéria-prima
  • Documentação (manual de boas práticas e dos procedimentos operacionais padrão, ou seja, o como fazer): limpeza do estabelecimento e dos equipamentos, conservação dos alimentos
  • Verificação da presença de ratos, moscas e baratas
  • Verificação se água utilizada é adequada ao consumo

“Com relação à churrascaria, foi evidenciado, basicamente, que no setor de manipulação [dos alimentos] estava faltando acessórios para lavagem das mãos, como sabonete líquido inodoro e papel toalha. Foi dado um prazo para que realizem as adequações”.

Intoxicação comprovada

O relatório epimediológico – que leva em consideração uma análise aprofundada sobre, por exemplo, o que todas as pessoas que passaram mal comeram em comum -, comprovou a intoxicação alimentar.

Dor abdominal é o principal sintoma de quem sofre intoxicação alimentar (Foto: Freepik)

“Todos os consumidores que estiverem no local e apresentaram sintomas foram entrevistados. Nestes questionamentos ficou evidenciado que alguns alimentos foram os causadores da intoxicação alimentar e que o mais provável seria [uma contaminação por] Escherichia Coli”.

De acordo com guia do Ministério da Saúde, essa bactéria, tal qual a Salmonella e Staphylococcus, é uma das mais frequentes causadoras de doenças transmitidas por alimentos.

Os sintomas mais comuns decorrentes da ingestão de alimentos contaminados são náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia, falta de apetite e febre.

Normalmente, o período de incubação, ou seja, tempo que o organismo leva para apresentar os primeiros sinais após infecção, varia de 1 a 2 dias chegando ao máximo 7 dias.

Atenção ao ambiente!

Divalmo explica que, quando um consumidor chega a um estabelecimento como restaurantes e lanchonetes deve ficar atento a alguns sinais.

“Mas boa parte das reclamações que recebemos é mesmo por falta de higiene no momento da manipulação dos alimentos”.

E se você acha que está limitado a conhecer só a estrutura do estabelecimento e o ambiente onde os alimentos são expostos, saiba que está autorizado, sim, a fazer por conta própria uma “inspeção” mais apurada.

Segundo Divalmo, há uma lei te autorizando.

“A lei municipal nº 6.282 de 9 de julho de 2018 permite a entrada/visita do consumidor à área de manipulação de restaurantes, desde que sejam seguidas as regras estabelecidas na própria lei. O objetivo é que o consumidor possa inspecionar o local e decidir se faz ou não sua refeição naquele local”.

Trabalho de profissional

Já na fiscalização técnica da Vigilância Sanitária, vários aspectos são avaliados.

O cliente não está limitado a visitar só o salão dos restaurantes, mas sempre é possível chamar a Vigilância Sanitária (Foto: Freepik)

“A gente busca saber sobre a procedência da matéria-prima escolhida. De onde vem, onde é conservada, como é o processo de produção, ou cocção. Se houver, por exemplo, emprego de uma temperatura diferenciada na hora do preparo, pode ser que este alimento estrague. Sushis, sashimis não podem receber calor”.

E as atenções da fiscalização estão voltadas, principalmente, para a higiene do local. Acessórios como saboneteiras líquidos, lugar para papel toalha, cestos de lixo com pedaleiras e quaisquer vestígios de insetos.

“As baratas, por exemplo, podem carregar impurezas nas patas e contaminar o alimento”.

Segundo Divalmo, há um planejamento da Vigilância Sanitária para redobrar a fiscalização a estabelecimentos da Capital, especialmente, aos que emitiram alvará recentemente.

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