Íntimo e restrito, CALM abre as portas ao público com filme e espetáculo

Localizado no Centro de Cuiabá, espaço CALM é ponto de encontro de artistas

Espaço de reuniões, ensaios, leituras e encontros culturais com as mais variadas finalidades, o Centro Audiovisual Luiz Marchetti – CALM, já conhecido por a artistas e produtores de Cuiabá, se expande e ganha novos ares.

Pela primeira vez em 11 anos de história, o CALM abre as portas ao público, nos dias 26 e 27 de julho.

Trata-se de um evento gratuito que celebra a estreia de duas produções autorais mato-grossenses: o espetáculo “Coió” e o filme “Drag Nostra”.

Os ingressos, válidos para as duas atrações, são limitados e podem ser retirados a partir da próxima terça-feira (23), no Metade Cheio.

Nas duas noites, a sessão de cinema a céu aberto apresenta o lançamento do filme ‘DragNostra’, de Paulo Victor Vidotti, sempre às 20h30.

Estrelado por Sara Mitch, a diva pop mato-grossense, o curta acompanha a trajetória de um grupo de drags mafiosas que planejam assaltar um banco.

Em seguida, às 21h, o espaço se torna palco para Caio Ribeiro e Douglas Perón encenarem ‘Coió’, trabalho fruto de uma parceria entre os coletivos ‘Coma a Fronteira’ e ‘Spectrolab’ com o próprio ‘CALM.

A narrativa do espetáculo se constitui a partir de elementos cênicos, documentais e de cinema expandido. Este foi o único projeto de Mato Grosso contemplado pelo Edital de Patrocínio do Banco da Amazônia.

Centro Audiovisual Luiz Marchetti

Organizadores do evento esperam um público de aproximadamente 30 pessoas por noite, capacidade máxima de lotação do CALM.

E é justamente essa característica que confere ao ambiente um caráter intimista e aconchegante, como destaca o proprietário e idealizador do espaço, Luiz Marchetti.

Produção de ‘Ausência’, no CALM, filme inédito do Box de Curtas de 2019

Conforme o cineasta, realizador de importantes títulos do cinema mato-grossense, a ideia é aproximar o público da obra e de seus realizadores, “sem levar em conta o quantitativo”, pois o CALM “prioriza a delicadeza de públicos menores”.

Marchetti explica que se trata de um espaço cultural “improvisado” na entrada de sua produtora, que, por sinal, também fica no mesmo terreno de sua casa, localizada aos fundos.

O local possui uma geografia privilegiada, uma vez que se situa em um ponto elevado da Capital.

Ali, em outros tempos, já funcionou a sede da rádio ‘A Voz d’Oeste’, uma das pioneiras na radiofonia cuiabana, o que leva alguns a crer que o espaço possui um tipo de ligação com o ato de comunicar.

“É uma plataforma para expressão cultural e trocas”, sintetiza Marchetti.

Interações e trocas

Quando Marchetti fala em trocas está se referindo às trocas imateriais, é claro, mas não apenas. Basta dizer quase todo o mobiliário do espaço é fruto de doações de outros artistas e amigos.

Desde bancos (Juliana Capilé e Tatiane Horevicht), sofás (Carlini e Caniato e Júlio Bedin), colchão (Marília Beatriz), espelho (Dani Paula), lustre (Menotti Griggi) e até as obras de arte em geral.

Esta estética baseada na interação e no reaproveitamento diz muito sobre a proposta do espaço. “Uma cara muito mais criativa do que rica enquanto preço”, ressalta.

O artista plástico João Sebastião, na sala de estar no CALM, posando em alusão à Maria Taquara

De acordo com Marchetti, a própria localização do CALM, situado entre a Praça da Mandioca e a Avenida Presidente Marques, além de facilitar o acesso ao público, tem uma importância política e social. Faz parte do Centro Histórico de Cuiabá.

“Não estamos em nenhuma área VIP. […] Para mim, é uma certa honra estar nessa batalha de revitalização, de potencialização do centro da cidade onde eu nasci”.

Marchetti cresceu em meio a encontros como os promovidos pelo CALM. Seus pais, também artistas, faziam saraus e ensaios de Carnaval em sua antiga casa. “Acho que o CALM sempre existiu, sempre esteve na minha família”.

(Com assessoria)

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