Interação entre indígenas e não-indígenas marcam encontro em Cuiabá

Sala da Mulher apoia com estrutura física e alimentos

“Vocês sabem que perfume os indígenas usam?”, perguntou o cerimonialista Jair Kuikuro às dezenas de crianças sentadas abaixo da tenda montada para receber os visitantes no IX Encontro Indígena, realizado no Museu de História Natural Casa Dom Aquino, entre terça-feira (17) e quinta-feira (19), Dia do Índio. Os estudantes, em polvorosa, gritaram algumas possibilidades e receberam a resposta: “São perfumes naturais, extraídos de flores e ervas da mata. Mas não são como os das lojas, duram apenas de duas a três horas no corpo”.

O diálogo foi apenas um entre tantos outros no processo de interação entre indígenas e não-indígenas, no evento organizado com a finalidade de expor a cultura desses povos tradicionais pelo olhar deles próprios e evitar a disseminação de estereótipos equivocados. A Sala da Mulher foi uma das parceiras, que contribuiu com alguns itens de estrutura física e com alimentos arrecadados, compondo cestas básicas destinadas às aldeias participantes.

Dez integrantes de cada uma das etnias rikbaktsá, bakairi, kuikuro, kaiabi, bororo, xavante, pareci e waurá tiveram espaço para apresentar elementos das culturas, como costumes, danças, artesanatos e comidas típicas.

O pequeno Renato Rodrigo Barbosa Cardoso, de 9 anos, ficou encantado com as apresentações, que assistiu ao lado de seus outros colegas do 3º ano da Escola Estadual Aureolina Eustácia Ribeiro, do bairro Cidade Verde, em Cuiabá. “Eu tinha medo de índio, mas agora não tenho mais. Achei bem bonito o jeito que eles se vestem”, contou, sem timidez.

“É muito comum as crianças terem medo dos indígenas, por causa de algumas lendas absurdas. Esta é uma oportunidade de as crianças se divertirem e conhecerem pessoas reais, com vivências bem distantes dos livros de historinhas. E essas populações também conhecem nossos costumes, é uma troca de saberes”, explica a organizadora do evento, Luciana Ferreira, presidente do Instituto Ecoss, gestor, junto à Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, do Museu Casa Dom Aquino. Ela faz referência ao tema desta edição – Saberes sustentáveis dos povos indígenas – e avaliou que o objetivo de desmistificar sobre os povos indígenas foi atingido.

O IX Encontro Indígena recebeu mais de três mil estudantes, da Educação Infantil ao Ensino Médio, por meio de agendamento escolar, além de visitantes. Mayawai Waurá, conhecido como Diego pelos não-indígenas, gostou muito das atividades e já convidou mais pessoas para o próximo ano. “Dentro da comunidade a gente não dança sozinho, que venham todos para animar mais a festa”.

Pronto para a dança, Diego Waurá ostentava brincos especiais para o ritual e uma pintura no tórax que representava a cobra sucuri. Ele fala o português fluentemente, mas não tem como se afastar do sotaque característico do aruak, língua de sua etnia, compartilhada pelos outros 406 indígenas da aldeia Piyulago, em Gaúcha do Norte (396 km de distância da capital).

“Esses são povos guerreiros, a sobrevivência deles e de suas culturas só é possível por muita persistência e resistência. A Sala da Mulher tem se empenhado para estar nestes espaços, apoiando estes eventos, a fim de cumprir o compromisso de ser o braço social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso”, vislumbra, emocionada com o intercâmbio que presenciou, a administradora da Sala da Mulher, Daniella Paula Oliveira.

 

Com Assessoria

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