Indígenas de Rondônia e Mato Grosso lançam criptomoeda

Iniciativa vai unir em um propósito em comum os povos Suruí Paiter e Cinta Larga, tradicionalmente rivais

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em meio às dificuldades enfrentadas pelas comunidades tradicionais por causa da pandemia da covid-19, indígenas de Rondônia e de Mato Grosso se uniram em torno de uma ação inovadora: lançaram a OYX, uma criptomoeda mundial transcultural.

Para quem não sabe, as criptomoedas são moedas virtuais que podem estar online ou instaladas em computadores ou celulares. Elas funcionam por meio de um código complexo, único e que não pode ser alterado isoladamente.

O recurso foi idealizado por Elias Oyxabaten Suruí, do povo Suruí Paiter, que se uniu aos Cinta Larga. Aliás, tradicionalmente, trata-se de dois povos rivais.

“É uma ideia minha de união. A intenção é trabalhar com os dois povos e mostrar serviço para auxiliar as duas comunidades na região”. Juntos, os Suruí Paiter e os Cinta Larga somam cerca de 4 mil pessoas.

OYX é a abreviação do sobrenome de Elias, que significa homem persistente. A porta-voz da OYX, Adriana Siliprandi, explica que a ideia é permitir que as aldeias possam criar novos projetos econômicos com autonomia.

“A premissa da iniciativa não é de servir de aplicação financeira. Embora a OYX seja anunciada como uma criptomoeda, trata-se, na realidade, de um token utilitário [gerador de senha], uma espécie de criptoativo, mas que, à diferença do bitcoin, por exemplo, não tem características de investimento, como perspectivas de remuneração ou de valorização em mercado secundário”.

Serão emitidas inicialmente 100 milhões de OYX, com valor de R$ 10 a unidade. Segundo Adriana, as aplicações poderão ser feitas em reais. “A ideia é que o token seja pareado com a moeda brasileira”.

Entre os objetivos de arrecadação estão a construção de escolas, compra de sementes e equipamentos e ações de saneamento.

Sem auxílio

Segundo Elias, que trabalha no Distrito Sanitário da Saúde Indígena, os Suruí Paiter e os Cintas-Largas mantêm o modo de vida tradicional indígena, tendo como base de sobrevivência a pesca, a plantação, o artesanato e a agricultura. Porém, nos últimos meses esses povos lutam contra a fome, a covid-19, o garimpo ilegal, o agronegócio e o desmatamento.

A arrecadação conseguida com a criptomoeda será usada para construir e manter projetos nas regiões onde vivem esses povos, em Rondônia e Mato Grosso, garantindo uma renda mínima, segurança alimentar e integração das aldeias.

Funai

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que investiu mais de R$ 37 milhões no combate à covid-19 junto aos povos indígenas.

“Entre as ações, destaca-se a entrega de cerca de 425 mil cestas de alimentos a 207 mil famílias indígenas em todo o país”, contribuindo para que “os indígenas permaneçam nas aldeias e evitem o contato com o vírus”.

Em nota, a fundação informa que também distribuiu quase 70 mil kits de higiene e limpeza e que reforçou medidas preventivas.

Ainda segundo a Funai, foram investidos R$ 10,4 milhões em ações que visam a autossuficiência das comunidades, como a aquisição de materiais de pesca, sementes, mudas, insumos, ferramentas e maquinários agrícolas, além de R$ 11,8 milhões na proteção territorial.

Casos de covid-19

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) contabilizou, até o dia 6 de novembro, 32.746 casos de covid-19 entre os indígenas brasileiros, com 478 óbitos.

Porém, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou até esta quarta-feira (11) 38.978 casos e 871 óbitos, em 161 nações. Segundo a Apib, as contaminações entre as populações indígenas foram levadas por médicos e agentes das forças de segurança a serviço do governo federal.

(Com Agência Brasil)

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