Incêndios florestais: uma rotina mato-grossense que poderia ser diferente

Com o próprio fogo, mas na época certa, órgãos ambientais poderiam evitar problemas como o que envolve o Pantanal este ano

Os episódios de queimadas em áreas de vegetação em Mato Grosso são ocorrências quase invariáveis todos os anos. A partir de junho, os focos de fogo e a fumaça passam a fazer parte do cotidiano das cidades por ao menos três meses seguidos. 

Não é de agora, mas poderia ser diferente. Ao menos desde 2012 existem técnicas de controle que usam o próprio fogo – fora do período proibitivo – para amenizar situação na estiagem. Mas o assunto é pouco explorado. 

Tenente Brito, membro do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso explica: são criados planos para queimar, de modo controlado, áreas com tendência a se tornarem foco de vegetação seca nos meses com menos chuva. 

“Ela [a área] é delimitada em forma de polígono e o que queima, em grande quantidade, são os capins baixos e as espécies consideradas invasoras de um bioma, ou seja, a queima preventiva serve tanto para o controle de vegetação seca quanto para a renovação ecológica”, ele diz. 

A queima preventiva está prevista na Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, um  projeto de lei parado desde 2018 no Congresso Nacional. No entanto, conforme o tenente, a técnica já foi aplicada em Chapada dos Guimarães, pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio). 

A alternativa foi usada para evitar novos episódios de queimada em milhares de hectares do Parque Nacional. E, mesmo sem autorização do Congresso, um plano estratégico poderia ser montado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para aplicação em reservas estaduais.

(Foto: Governo de Mato Grosso) 

Fogo controlado 

Conforme o tenente Brito, as queimadas registradas desde junho no Pantanal têm relação com o volume de vegetação seca acumulada na região desde 2005, o último ano em que os bombeiros registraram um cenário tão intenso de fogo quanto de agora. 

Ele afirma que a aplicação da queima preventiva pode ser feita nos outros nove meses do ano que estão fora do período proibido, entre julho e setembro.

Hoje, somente no Cerrado existe permissão para uso da técnica. No Pantanal, a discussão seria mais polêmica, por causa da diversidade da flora e da fauna. Contudo, isso não quer dizer que o assunto não possa ser discutido. Só não houve interesse ainda. 

“Talvez com o episódio de queimadas neste ano seja pensada alguma coisa para o próximo ano. Existe certa sensibilidade em discutir a queima preventiva no Pantanal por causa da classificação do bioma”, disse. 

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A queima é realizada, segundo os bombeiros, de acordo com as condições climáticas. A demarcação de área a ser incinerada e a ação em si são realizadas com base na previsão meteorológica, sem vento e chuva.   

Conforme o tenente, há projetos de plano para a queima na Serra Azul, em Barra do Garças (515 km de Cuiabá) e novamente no parque de Chapada dos Guimarães. 

Renovação da vegetação 

A Sema informou que a queima preventiva é realizada ao final do período chuvoso. Ela consome apenas a biomassa que está na superfície, sem prejudicar o sistema radicular das plantas.  

A técnica reduz o material combustível e fragmenta a vegetação, evitando os grandes incêndios, que devido à intensidade e à severidade podem esterilizar todo o ecossistema afetado.  

Ainda de acordo com a Sema, há redução de emissão de CO2 e de gastos públicos para controlar incêndios descontrolados, situação ocorrida este ano no Pantanal. 

Ao LIVRE, a secretaria informou que recomendações de técnicas de queima controlada foram repassadas em maio para proprietários rurais de Mato Grosso. 

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1 COMENTÁRIO

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    O Produto é ecologicamente correto e se degrada em até 22 dias.

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