Importância do exercício físico na terceira idade

(Foto: Reprodução/Runnersworld)

Muitos idosos lembram com saudosismo da época em que eram jovens e vigorosos: “quando eu era jovem, eu jogava futebol todos os dias”; “eu fazia muito exercício”; “eu não cansava nuca”. Muitos não se sentem capazes de manter o mesmo ritmo de vida, e simplesmente “se aposentam” das atividades físicas.

Fato é que a prática regular de exercícios é fundamental para qualquer pessoa, e ainda mais importante para os idosos. Os exercícios ajudam no ganho ou manutenção do condicionamento cardiovascular e da função muscular, e isso é fundamental para que consigam manter ou mesmo melhorar sua rotina diária, incluindo atividades de lazer (compras, dança, jardinagem), transporte (caminhada, ciclismo), ocupacional (se o indivíduo ainda estiver envolvido no trabalho) e tarefas domésticas, entre outras. São eficazes também na prevenção de quedas, sendo estas direta ou indiretamente relacionadas a grande número de óbitos nesta faixa etária.

Diversos são os motivos que fazem com que uma pessoa deixe de se exercitar na terceira idade: dores, falta de motivação ou simplesmente a falta de uma orientação adequada. A saúde piora rapidamente e passam a ir de médico em médico em busca de medicamentos, sem se dar conta que a saúde não irá melhorar sem uma rotina de atividades físicas.

Doenças como diabetes, pressão alta, obesidade, osteoporose, problemas cardiovasculares ou pulmonares são bastante prevalentes entre os idosos. Dores crônicas relacionados a problemas musculoesqueléticos, principalmente a artrose no joelho, também é comum e aumenta sua incidência com o avanço da idade. Em todos estes problemas, a prática de exercício é tão ou mais importante no controle da doença do que as medicações específicas.

 

Existe uma “atividade ideal” para o idoso?

Os idosos apresentam condições de saúde e condicionamento físico muito diferentes uns dos outros. Os objetivos em relação às atividades físicas são também bastante variáveis entre os idosos. Enquanto alguns buscam simplesmente uma melhor capacidade para brincar com os netos ou para realizarem suas atividades diárias, outros buscam a prática esportiva competitiva em modalidades tão exigentes como a maratona ou o triathlo. Identificar e adequar estes objetivos dentro da realidade e das condições de saúde do idoso é um passo fundamental para a prescrição de exercícios.

Pensando em saúde, o ideal é uma combinação de atividades que incluam exercícios aeróbicos, de força, de equilíbrio e de flexibilidade.

  • Atividades aeróbicas: Exercícios que envolvem o uso repetitivo de grandes grupos musculares, levando a um aumento prolongado na frequência cardíaca. caminhada, dança, ciclismo, e natação são alguns exemplos;
  • Exercícios de força: são aqueles que buscam vencer uma resistência. A resistência pode ser criada utilizando-se de faixas elásticas, pesos livres, aparelhos de musculação ou o peso corporal do paciente;
  • Exercícios de equilíbrio;
  • Exercícios de flexibilidade: atividades que alongam os músculos e podem ajudar seu corpo a ficar mais flexível. A flexibilidade é fundamental para a correta execução dos movimentos e ajudam na prevenção de lesões. A baixa flexibilidade da região lombar e do quadril, por exemplo, contribui para muitos quadros de dor lombar. A amplitude de movimento limitada nas articulações do quadril, joelho e tornozelo pode aumentar o risco de quedas e contribuir para alterações da marcha relacionadas à idade.

Além destas atividades, os idosos devem ser estimulados a incluírem mais esforço físico em suas atividades rotineiras, e não apenas com a prática formal de exercícios. Abrir manualmente os portões automáticos, subir escadas em vez de usar elevadores ou escadas rolantes e estacionar mais longe do local de destino são algumas das maneiras de se manter ativo.

Qual a frequência e a intensidade indicada para os exercícios?

Isso deve ser avaliado caso a caso, considerando-se a saúde geral do idoso e eventuais limitações físicas. A avaliação médica pré-participação é fundamental para minimizar eventuais riscos para a saúde.

Como regra geral, seguimos as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que são as seguintes:

  • Pessoas acima de 65 anos devem fazer pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada, 75 minutos de atividade vigorosa ou uma combinação equivalente de atividades moderadas e vigorosas. Atividade moderada é aquela em que se consegue manter uma conversa regular com pausas frequentes para respirar, e atividades vigorosas são aquelas em que se consegue apenas uma comunicação breve;
  • A atividade aeróbica deve ser realizada em sessões de pelo menos 10 minutos;
  • Para obter benefícios adicionais à saúde, os idosos devem aumentar sua atividade física aeróbica de intensidade moderada para 300 minutos por semana, de intensidade vigorosa por 150 minutos semana ou uma combinação equivalente de atividade de intensidade moderada e vigorosa.;
  • Devem realizar atividades físicas que trabalhem o equilíbrio em 3 ou mais dias da semana;
  • Atividades de fortalecimento muscular, envolvendo os principais grupos musculares, devem ser realizadas 2 ou mais dias por semana;
  • Quando não puder seguir as recomendações acima devido a alguma condição de saúde, deve-se manter tão fisicamente ativo quanto suas habilidades e condições permitirem.

Esporte competitivo

Muitos idosos são capazes de manterem uma prática intensa de atividade inclusive em nível competitivo e em esportes de alto impacto, como o futebol ou a corrida. Mesmo pessoas com problemas ortopédicos como a artrose no joelho ou tendinites podem se sentirem aptos a realizarem estas atividades, uma vez que tenham uma boa musculatura e um bom preparo físico.

Caso o esporte não leve a uma piora significativa de quadros dolorosos, deverão ser estimulados a fazerem tudo aquilo que forem capazes. Para que consigam prolongar ao máximo suas “carreiras esportivas”, devem ter ciência de que, mesmo que se sintam saudáveis, o corpo não é o mesmo de tempos passados, e mais do que nunca devem ter atenção especial ao trabalho de preparação física.

Avaliação pré-participação

Muitos idosos têm problemas de saúde diversos e que devem ser considerados no momento da prescrição de exercícios. Problemas comuns nesta faixa etária incluem, entre outros: doenças cardíacas, derrame, pressão alta, osteoporose, artrose, obesidade e diabetes. Na maior parte das vezes, estas doenças não são impeditivas para a prática de atividades físicas, mas podem exigir cuidados especiais.

Deficiências hormonais, principalmente dos hormônios sexuais (menopausa / andropausa) e dos hormônios tireoideanos devem ser pesquisadas e tratadas para maximizar os efeitos dos exercícios. A anemia também pode interferir na capacidade de se exercitar. Problemas de visão ou de audição podem ser impeditivos para a prática de certas modalidades.

Cuidado especial deve ser dado ao aparelho cardiovascular, já que esta é a principal causa de morte associada a exercícios na população idosa. Uma avaliação completa incluindo a realização de testes de esforço (ergométrico ou ergoespirométrico) deverão ser feitos regularmente.

Dr João Hollanda

O Dr João Hollanda é ortopedista especialista em joelho. Atualmente é médico colaborador do Grupo de Trauma do Esporte da Santa Casa de São Paulo e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

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