“Imagine”, o hino oficial da esquerda

A evidência histórica mostra que é tudo o contrário do que propõe o maconheiro Lennon

Ouvi esta ideia outro dia de um comentarista de rádio e achei que merecia uma atenção especial. O comentarista dizia que a música “Imagine”, de John Lennon é o hino oficial da esquerda.  Tive que concordar. Preste atenção como quase todos os objetivos utópicos da cosmovisão de esquerda estão alistados nesta letra.

Imagine there’s no heaven (Imagine que não existe o céu)
It’s easy if you try (é fácil se você tentar)
No hell below us (nem o inferno abaixo de nós)
Above us only sky (acima de nós apenas o firmamento)

O cantor quer imaginar que não vai existir o céu metafisico ou inferno, apenas o firmamento.  Não havendo céu nem inferno não há recompensa ou punição eterna.  Se não existe a punição para o mal, e a recompensa para o bem, o certo e o errado se diluem. Lennon quer a humanidade vivendo acima do bem e o do mal de qualquer cobrança moral. Será que é possível? O que substituiria o certo e o errado, para Lennon, são definidos pelo verso:

Imagine all the people living for today (Imagine todas as pessoas vivendo só para hoje)

Não é difícil de entender como este ideal é tão popular. É o apelo da existencialização Heideggeriana. Ter a permissão de não pensar nas futuras gerações, mas se preocupar apenas consigo mesmo, e o seu “hoje.” Como indivíduo, me preocupo com meu projeto, com a minha diversão e entretenimento.  Se esta filosofia de vida é validada, só existe para mim o hoje, e na minha sociedade só existe o eu, a consequência política natural deste pensamento se degenera em populismo. O projeto do político populista é sempre satisfazer as necessidades imediatas do povo  e nunca a construção de um futuro para seus filhos.

Imagine there’s no countries (Imagine se não existissem países)
It isn’t hard to do (Não é dificil imaginar)
Nothing to kill or die for (Nada para se matar ou morrer)
And no religion too (E sem religião também)
Imagine all the people living life in peace (Imagine todas as pessoas vivendo em paz)  

Esses versos famosos deveriam estar nas listas dos mais estúpidos já escritos. Mas infelizmente a esquerda americana e europeia lhes atribuiu uma legitimidade extra nos últimos anos ao confluir a noção sadia de pátria, com os males do nacionalismo.  Dos candidatos democratas à presidência, começando por Hillary Clinton que perdeu de Trump em 2016, todos se pronunciaram a favor do fim das fronteiras geo-políticas.  Não, você não leu errado. Para eles a culpa do problema da imigração ilegal é das fronteiras. Deveríamos viver no mundo de Lennon onde todos os países são um.

Infelizmente esta sandice só funciona da fala dos populistas de esquerda e dos fumadores de baseado. São as linhas nacionais bem delimitadas, os países modernos com seus exércitos, constituições específicas e valores nacionais que nos garantem a relativa paz que desfrutamos hoje na história. Se voce duvida disto leia o livro mais recente de Steven Pinker, [i] (Os melhores anjos da nossa natureza) Ele atribui ao processo civilizatório, que inclui a fronteirização do mundo,  o declínio da violência e a melhora geral da condição de vida. A transição entre os domínios informais das fronteiras nas sociedades pré-modernas, para a formalização das leis internas e de fronteira que temos hoje permitiram o surgimento das sociedades democráticas. A criação de sistemas políticos e econômicos que respondem a códigos morais acordados coletivamente, que são as constituições nacionais, teve como consequência direta a queda da violência em todos os lugares. O inimigo da paz é o Império, e não a nação. Em miúdos, a evidência histórica mostra que é tudo o contrário do que propõe o maconheiro Lennon.

país, nação democrática= paz,
no-country=guerras sangrentas e intermináveis.

A outra sandice é no-religion, ideia adotada hoje até por cristãos convictos. Falei disto no meu artigo publicado por este site na sexta-feira, dia 26 de julho. De novo, baboseira de maconheiro. A falta de religião nos torna mais vulneráveis à tirania e ao totalitarismo.

William Cavanaugh[ii], professor no DePaul College of Liberal Arts, desbanca o mito da religião como geradora ou motivadora de violência. Diz Cavanaugh que a ideia abstrata da força religiosa só existe na cabeça dos analistas seculares. Religião só produz violência quando casada com uma clara intenção política. Portanto nesse caso não é a religião em si, mas a ambição política combinada a ela que seria a motivadora da violência.

You, you may say  (Você pode dizer)
I’m a dreamer, but I’m not the only one (Que sou um sonhador, mas não sou o único)
I hope some day you’ll join us (Espero que um dia você se una a nós)
And the world will be as one (e que o mundo todo seja um)

Sim, você não é apenas um sonhador, mas é um sonhador tolo.

Imagine no possessions (Imagine, se não tivermos posses)
I wonder if you can (Será que você consegue?)
No need for greed or hunger (Sem necessidade pela ambição ou fome)
A brotherhood of man (Uma irmandade dos homens)
Imagine all the people sharing all the world (Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo todo)

Eu poderia  escrever um tratado aqui sobre o valor do consumo e do livre comércio, mas vou deixar para depois. A utopia socialista que finge que um mundo sem propriedade privada seria mais justo não passa disto, de uma utopia, incrivelmente arrogante, diga-se de passagem, porque ignora a realidade, a história e natureza humana. A única coisa que nos separa, a nós trabalhadores do mercado de consumo, dos escravos de outrora, é o direito à propriedade privada. Propriedade é a nossa garantia à liberdade. Não é à toa que a proteção à propriedade individual figura até nos Dez Mandamentos. O oitavo mandamento, Não Furtarás, não se refere a propriedade coletiva, mas a do vizinho. Ao proibir o furto a Bíblia assegura que a propriedade é legítima e deve ser respeitada. A “irmandade dos homens” que sequestrou os direitos individuais ao lucro e à propriedade produziu uma sociedade arbitrária, cruel, marcada pela fome e pela cobiça. Sim, a cobiça pelo poder, a única maneira de escapar da opressão dos irmãos. A viagem psicodélica de Lennon não podia ser mais mentirosa.

You, you may say  (Você pode dizer)
I’m a dreamer, but I’m not the only one (Que sou um sonhador, mas não sou o único)
I hope some day you’ll join us (Espero que um dia você se una a nós)
And the world will be as one (e que o mundo todo seja um)

Não John Lennon, não vou sonhar com você. Sonho com um mundo bem diferente.  

_____________________

[i] Pinker, Steven. The better angels of our nature: A history of violence and humanity. Penguin, 2012.

[ii] Cavanaugh, William T. The myth of religious violence: Secular ideology and the roots of modern conflict. Oxford University Press, 2009

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16 COMENTÁRIOS

  1. Que conteúdo infeliz, desde o título até a “análise”. A autora parece não entender nada de música, poesia ou filosofia. É por isso que eu, apesar de me interessar, não comento astrofísica, especialmente num canal público. É preciso dominar o assunto para opinar. Lamentável hein O Livre…

  2. Eu acho que isso é a pior coisa que eu li nos últimos dias. Aliás, nem sei porque eu li. A autora faz uma série de associações sem nenhum sentido. E infelizmente (ou felizmente?) ela não entendeu Jhon Lennon. Dica para entender: ouça Cuidar do Homem, do Belchior; e Pipes Of Piece, de Paul McCartney. De fato, o problema dessa gente não é só com a poesia, com a vida e com a liberdade. O problema dessa gente é também com o amor. E talvez a falta de amor os tenha colocado numa vida dura, insossa e triste. Mas tão triste que dedicam tanto de seu tempo para escrever uma baboseira dessas contra uma música que prega a paz.

  3. Realmente, essa moça não compreende nada. Triste realidade que vivemos no Brasil, em que as opiniões mais descabidas ganham espaço e ainda conseguem encontrar desinformados que concordam.

  4. Acho legal quando gente como voce, Vinicius comenta fazendo referência à vergonha, e principalmente culpando o site que me publicou. Entao o site “O Livre” tem que te consultar antes de publicar alguma coisa, para nao passar vergonha é? Vergonha de quem, de pessoas que discordarem do texto? De ter feito o quê? Te ter publicado algo que expressa um ponto de vista diferente do compartilhado pelo gado uniforme?

  5. A página se chama o livre, mas o ódio do bem sempre aparece desmerecendo uma opinião muito bem construída apenas porque não comunga com a cabeça cheia de maconha deles.

  6. Embora seja eu um dos piores pecadores, sempre vi a figura de John Lennon com uma certa compaixão e piedade por uma pessoa que com este “Imagine”, no fundo sentia sede inconsciente de Deus. Todo este sonho procuro canalizar para a utopia do Reino de Deus, sem fronteira, sem nome de religião, etc. O reino que não se amolda a sistemas fechados, instituições, ideologias, subjetivismos… Sabe que espero ver John Lennon na eternidade com Deus e eu, talvez pior pecador que ele esteja lá para dar-lhe um grande abraço? Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou único.

  7. Excelente texto Braulia! Pura verdade! Ainda bem que no Brasil temos liberdade de expressão. E que podemos sim discordar dessa esquerda fajuta! Ninguém é obrigado a aceitar suas idéia! Valeu!

  8. Estamos precisando mudar para outro paradigma, que não o da linguagem, pois esta interpretação da música extrapolou em muito a razoabilidade…e não culpe o John Lennon por isso…que fique claro que isto é produto da autora. Como pode construir uma narrativa e imputar ao músico? ‍♀️ E outra…isto só demonstra o tamanho da visão de mundo da autora…que é limitado ao que conhece e quer ver sobre o mundo…nem tudo é política…nem tudo é direita…há muitos outros conhecimentos sobre a grandeza da vida

  9. Lamentável é a falta de uma leitura analítica de alguns leitores, uma poesia linda com uma sonoridade bem arranjada destila sua pernicia, e a manada dorme insolente como Batman e Robin dormiam pelo gás do Coringa há cinquenta anos atrás.
    Não saber ler mantém a ignorância ativa, deixando passar batido o alerta da autora daquilo que os incautos não conseguiram perceber na bela poesia sonhática.

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