Home office: modelo de trabalho ganha adeptos e exigirá mudanças de perfil

Adoção do trabalho remoto abre horizonte para o trabalho de qualquer lugar do mundo e deve aumentar a concorrência por vagas

(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

A pandemia do novo coronavírus destravou no Brasil a tendência mundial do trabalho passar a ser executado remotamente, longe do ambiente físico das empresas. O modelo não é novidade e já tem profissões pioneiras com anos de experiência. 

No caso do Brasil, a necessidade criada pela pandemia de isolamento e manutenção dos empregos fez empresas e funcionários aderiram ao home office, tirando a opção de trabalho via tecnologias de um estado de “hibernação”. 

“A necessidade fez os brasileiros irem atrás do home office. Ele estava numa espécie de hibernação por causa tanto por causa do modelo tradicional de trabalho de ir todos os dias para a empresa. E agora muitas pessoas perceberam que elas podem vender mais trabalhando de casa”, diz Sandro Rossi, gerente de interconexões institucionais do Sebrae-MT. 

O nicho ainda é pequeno, mas a tendência é que as empresas passem a colocar o modelo na lista de opções de contratações, tanto pela redução de custo quanto pela maior produtividade. 

O trabalho remoto está sendo considerado aposta por políticos que buscam propostas de incentivo. Em Cuiabá, foi apresentado um projeto de lei que concede isenção fiscal em ISSQN e IPTU para as empresas se adaptaram ao home office no pós-pandemia. 

Qualificação 

Contudo, o horizonte ampliado de se poder trabalhar de qualquer lugar, deve trazer nova pressão para a atualização de formação e currículo dos trabalhadores brasileiros. A renovação do conhecimento especializado e o domínio de ao menos duas línguas passarão a ser quesitos básicos dos candidatos a vagas ou para quem busca a manutenção do posto. 

O gerente Sandro Rossi explica que essa tendência é inerente à mudança para home office, ela disparou um gatilho de que o trabalhador pode estar em qualquer lugar, desde que as encomendas de serviços sejam entregues. 

“Não existe mais essa visão de bairrismo, o trabalhador precisa ter uma visão global. Ele pode trabalhar em empresa em São Paulo, em Londres ou em qualquer outro país do mundo. A concorrência pela vaga tende a ser mundial. Se o inglês é uma qualificação necessária, mas já de pouco diferencial, o trabalhador terá que dominar uma terceira língua, o mandarim, o chinês, por exemplo”, explica. 

Horário flexível, entrega fixa

A relação de trabalho tem um novo aspecto no home. As horas de atividade passam a ficar flexíveis e o funcionário é avaliado pelas entregas de serviços. 

O gerente Sandro Rossi diz que essa mudança é o benefício para as pessoas que se adaptam ao modelo. Ela tem menos pressão para executar serviços no tempo que está na empresa e mais liberdade para entregá-los nas horas com pico de concentração. 

“O estado emocional das pessoas muda. Às vezes, a mãe está no trabalho, mas preocupada com o filho em casa. Se ela trabalha de casa, ela pode ficar de olho, mesmo que não possa cuidar integralmente dele. Outras têm maior foco de concentração num intervalo e acabam rendendo até mais”, pontua. 

Pesquisa da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA) com trabalhadores que estão em home office na pandemia aponta que 70% querem permanecer nesse modelo quando as regras sanitárias estiveram mais relaxadas.

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