As histórias após as manchetes: onde estão Enã e Letícia?

Nesta série, o LIVRE contará os capítulos seguintes de histórias de rostos conhecidos após saírem das manchetes

Diversas vezes no ano, pessoas até então anônimas se tornam “celebridades” instantâneas devido a algum fato marcante na vida delas. Uma tragédia, uma história de superação, ou até de pura fofura, transformam essas pessoas em manchetes de sites de todo Mato Grosso e chegam a todos os cantos do Brasil.

Passado um tempo, o foco em cima delas se desfaz e elas retornam à vida normal. Porém, quando isso ocorre, muitos leitores já rezaram, torceram e acompanharam a vida delas por algum tempo e se perguntam: “o que aconteceu desde que as manchetes acabaram?”

Para responder essa pergunta, o LIVRE criou a série “as histórias depois das manchetes”, onde serão contados os capítulos seguintes de histórias de rostos conhecidos cujas vidas continuaram.

Nesta primeira edição, dois médicos exemplos de superação, resiliência e fé: Letícia Franco e Enã Rezende.

Médica que sofre doença rara e desistiu de eutanásia

Letícia Franco Viñe, 38 anos, ganhou as manchetes do Brasil e do mundo ao anunciar que realizaria o processo de eutanásia na Suíça no dia 1º de março de 2018. Mais tarde, Letícia desistiu da ideia, encontrou um novo tratamento que a fez melhorar e, por fim, recuperou a vontade de viver ao reencontrar um grande amor, casar-se e recomeçar sua história, que ainda teve longos capítulos.

Durante o tempo em que ficou longe das notícias, a médica, que sofre de Síndrome Asia devido à colocação de implantes de silicone nos seios, realizou a retirada das próteses na intenção de que sua situação de saúde melhorasse.

Porém, no final de 2018, mais uma vez ficou entre a vida e a morte. “Quase morri final do ano, tive choque hipovolêmico e três paradas cardíacas. Agora continuo com muita dor, melhorou pouco, a doença voltou”, lamentou Letícia.

Por causa das dores, neste mês ela passará por outra cirurgia para a implantação de uma bomba de morfina, para que ela tenha maior qualidade de vida.

Já em relação ao marido, Letícia continua a falar de felicidade. Os dois seguem apaixonados e correndo atrás do sonho de ter um filho. Em julho de 2018, quando Letícia e Guilherme contaram a história de amor dos dois, a médica tinha voltado a ovular e torcia para poder ter filhos no futuro. Agora, um médico de São Paulo e outro de Cuiabá acompanharão o casal em busca desse sonho.

Outra mudança foi que Letícia pôde voltar a trabalhar com a profissão que tanto ama, o que, a princípio, era quase impossível devido à dificuldade de ficar em pé. Ela só parou há duas semanas, quando as dores ficaram insuportáveis, mas já irá operar e deverá retornar em cerca de um mês. “Recuperando eu volto para o trabalho, com certeza”, disse a médica, sempre apaixonada pela profissão.

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Médico autista que sonha em ser neurocirurgião

Enã Rezende Bispo do Nascimento, 27 anos, ganhou o Brasil ao contar sua história de superação. Autista leve, Enã escolheu aos 10 anos de idade que queria ser neurocirurgião, estudou muito, se formou em medicina em 2019 e ficou bem mais próximo do sonho.

Foto: Estúdio Marães

Pouco antes de se formar, o jovem decidiu que antes da residência em neurocirurgia iria servir ao Exército. Porém, depois da formatura os planos mudaram e ele precisou adiar o sonho da carreira militar.

Sonhos, no entanto, não faltam no coração do médico que se tornou exemplo de superação e contou sua história em todo o Brasil. No momento, ele está morando com a família em Rondonópolis (220 km de Cuiabá) e trabalhando no Programa de Saúde da Família Vila Cardoso.

Ele atende como clínico-geral, fazendo atendimentos ambulatórios e alguns pequenos procedimentos. Às sextas-feiras, durante a tarde, ele ainda faz atendimentos domiciliares a pacientes que não têm condições de ir até uma unidade de saúde.

“As visitas domiciliares fazem parte da Estratégia de Saúde da Família – e para mim é um imenso prazer realizar essas visitas. É um trabalho lindo, a gente acaba lidando de frente e conhecendo mais o SUS”, disse Enã.

Enquanto se dedica à rede pública de saúde de Rondonópolis, ele estuda para concretizar seu primeiro grande sonho: o de se tornar neurocirurgião. Ele está se preparando para passar por uma série de provas de residência em todo o Brasil e irá se mudar para a cidade onde conseguir passar. Os editais de seleção costumam abrir a partir de outubro e seguir até janeiro, ou fevereiro do outro ano.

Depois que passar na prova, Enã ficará cinco anos na residência e, então, teremos no Brasil um neurocirurgião autista, mostrando para todos que possuem o espectro que, como ele disse em sua primeira entrevista ao LIVRE, em novembro de 2018, “sinceramente, não existe nada que impeça a gente [autistas] de fazer o que quer fazer. Não só para medicina, mas para tudo que você desejar, tudo que você tiver vontade, você pode”.

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