Helicóptero para formar pasto? Fiscalização descobre meio inusitado de derrubar floresta em MT

Pelo menos 750 hectares de mata nativa e em processo de regeneração podem ter sido destruídos com essa nova técnica

Foto: PMMT

Uma operação integrada das forças de Segurança Pública e Meio Ambiente em Mato Grosso resultou na prisão de dois homens, de 37 e 44 anos, e apreensão de um helicóptero.

A ação foi nesta segunda-feira (15) e descobriu que a aeronave vinha sendo utilizado para envenenar áreas de floresta nativa em Colniza (1.090 km de Cuiabá). As regiões, posteriormente, eram transformadas em pasto.

Denúncia

As investigações tiveram início após denúncia anônima de que grandes fazendeiros  estariam mandando envenenar as áreas em regeneração e florestas nativas. Eles usavam herbicidas e depois ateavam fogo.

Investigadores da Polícia Civil passaram a apurar o caso e flagraram um helicóptero pulverizando a floresta A cena foi fotografada.

Eles descobriram, ainda, que a estratégia era causar ressecamento da vegetação. Assim, o  fogo facilitaria a formação da pastagem.

Os policiais passaram a acompanhar o caso de perto e identificaram a prática em várias propriedades rurais do município.

Eles também conseguiram recolher recipientes dos produtos tóxicos, que foram encaminhados para perícia. O nome de um dos fazendeiros envolvidos foi descoberto.

Operação

O Núcleo de Inteligência da Secretária do Estado de Meio Ambiente (Sema) passou a ajudar no caso. Então, nessa segunda-feira, a Polícia Judiciária Civil, a Polícia Militar, a Sema e o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) se uniram em uma operação.

As equipes sobrevoaram as áreas que já sabiam ser alvo dos criminosos ou pertencer ao fazendeiro que estava sendo investigado. Dessa forma, encontraram o helicóptero que vinha sendo utilizado para pulverizar os produtos tóxicos na floresta.

Eles foram até o local e constataram que a aeronave era equipada com pulverizadores e um tanque de armazenamento para material líquido. Nele, havia sinais de resíduos tóxicos.

Próximo ao helicóptero, também havia uma nascente represada onde foram encontrados vários galões vazios de substâncias tóxicas.

Prisão

Foram acionados reforços e as equipes adentraram na propriedade. Encontraram dois homens, um de 37 e outro de 44 anos.

O de 44 se apresentou como capataz da fazenda e disse que sua responsabilidade era  cuidar do rebanho bovino – o que realmente estava fazendo quando foi encontrado.

Ele negou participar da degradação ambiental, mas demonstrou saber o que estava acontecendo. Disse que o responsável pela fazenda que havia contratado esse serviço.

O outro homem, de 37 anos, disse ter sido contratado pelo piloto do helicóptero, que não foi encontrado. Ele contou estava trabalhando há quatro meses, sendo 30 dias em Colniza, auxiliando na manipulação dos herbicidas.

Ele disse ter testemunhado o fazendeiro – o investigado pela Polícia Civil – contratar o piloto do helicóptero e que, nesse dia, 48 galões de 20 litros de herbicida haviam sido pulverizados em aproximadamente 500 hectares de floresta.

Depois, disse ter auxiliado na manipulação de mais 35 galões de 20 litros, suficientes para 250 hectares. Ele confessou ter atuado em ao menos duas “linhas” de pulverização da mata.

Após ouvir os dois homens, as equipes os prenderam e encaminharam para a delegacia.

O material encontrado precisou ser deixado no local por se tratar de produto tóxicos, mas ficaram sob a guarda da Polícia Militar, esperando a perícia.

A aeronave, por sua vez, foi apreendida e encaminhada para a sede do Ciopaer, em Cuiabá.

O caso foi registrado como produzir, comercializar, usar (e outras ações) substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde ou ao meio ambiente, em desacordo com a lei.

A princípio, o piloto e o fazendeiro investigado não foram presos.

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