Hanseníase: Mato Grosso é o 2º estado com mais casos no país

A maior parte dos pacientes procura o médico quando já possui alguma deformidade decorrente da doença

Mato Grosso registrou 33.104 novos casos de hanseníase nos últimos 10 anos. O número coloca o estado em segundo lugar no ranking de ocorrência, perdendo apenas para o Maranhão, que teve 36.482 registros de novos casos. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan), que pertence ao Ministério da Saúde, e levam em consideração o período de 2010 e 2020.

Ainda conforme as estatísticas, desse total de pacientes, cerca de 33% chegaram aos consultórios e ambulatórios com algum grau de incapacidade, isto é, quando a doença causa alguma deformidade física ou causa diminuição ou perda de sensibilidade nos olhos, nas mãos e nos pés.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aproveita este mês – o Janeiro Roxo – para pedir a atenção ao problema tanto pelo poder público, como pela população.

Neste período, a entidade se dedica à conscientização, combate e prevenção da hanseníase, que é uma doença tropical de evolução crônica, que se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos, como dormência e diminuição de força nas mãos e nos pés.

Comparativo entre regiões

Proporcionalmente, a região Centro-oeste do País concentra o segundo maior número de casos novos detectados ao longo da última década: 19,5% do total, o equivalente a 60.858 mil casos. Em primeiro lugar, aparece o Nordeste, com 43% dos casos.

Na terceira e quarta posição, estão respectivamente as regiões Norte (19%) e Sudeste (15%). Somente 3,5% dos novos pacientes identificados nos últimos 10 anos estão no Sul do Brasil.

Um terço dos casos novos registrados na população geral durante o período se concentraram apenas em Mato Grosso (33.104) e em outras duas unidades da federação: Maranhão (36.482) e Pará (31.611). Os estados de Roraima, Rio Grande do Sul e Amapá diagnosticaram menos de 1.500 casos novos da doença na década.

Diagnóstico e tratamento

“São números alarmantes e, apesar disso, a hanseníase ainda é considerada uma doença negligenciada. Trata-se de um contexto contra o qual a SBD e muitos gestores públicos têm trabalhado arduamente ao longo dos anos, a fim de conscientizar a população sobre as manifestações clínicas da doença e assegurar a todos acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce”, ressalta Mauro Henokihara, presidente da SBD.

Segundo ele, a detecção precoce da doença é fundamental para que o paciente evolua sem sequelas e para diminuir a chance de transmissão para outras pessoas, em especial aquelas com quem convive de maneira regular e próxima.

“Infelizmente, observamos um aumento na proporção de novos casos que chegam ao médico com o que chamamos de Grau 1 e 2 de incapacidade física, deformidades e incapacidades físicas às vezes irreversíveis”, pontua o dermatologista.

Pelos números apurados pela SBD no Sinan/MS, em 2010 os casos novos diagnosticados em Mato Grosso com algum tipo de deformidade (Grau 2) e com diminuição ou perda da sensibilidade nos olhos, mãos ou pés (Grau 1) representavam 28,2% do total. Os últimos dados nacionais disponíveis, referentes a 2019, mostram que essa proporção saltou para 40,3%.

Perfil do paciente

Na maior parte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença preocupa mais entre as mulheres, pois elas são mais afetadas pela doença. Contudo, no Brasil é diferente. Aqui, os homens são mais afetados: 55% dos casos novos detectados na última década.

No Brasil, mais da metade dos pacientes com diagnóstico de hanseníase na década tinham entre 50 e 59 anos (18%), 40 e 49 anos (18%) e 30 e 39 anos (17%). Outra parcela significativa tinha mais de 60 anos (22%) ou estava na faixa entre 20 e 29 anos (12%).

Para Sandra Durães, coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, isso pode estar relacionado a uma série de fatores, como a classe social e a menor frequência com que eles vão a consultas médicas.

“A hanseníase tem uma característica interessante: a pessoa precisa estar atenta aos sinais do próprio corpo. Muitas vezes são manchas silenciosas, que não doem e não coçam. E sabemos que, culturalmente, o homem brasileiro tem mais dificuldade de ir ao médico e cuidar da própria saúde”, ressalta.

Os analfabetos e com ensino fundamental incompleto representam 54% das notificações da doença nos últimos 10 anos. “A hanseníase está classificada entre as doenças ditas negligenciadas, que atingem populações com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

O Brasil, apesar de estar entre as grandes economias mundiais, apresenta grande desigualdade social. Nas periferias de suas metrópoles, existem grandes bolsões de pobreza caracterizados por habitações insalubres e difícil acesso aos serviços de saúde”, lembra Sandra Durães.

A especialista alerta, no entanto, que, por se tratar de doença endêmica, toda a população está exposta e pessoas de maior poder aquisitivo também podem adoecer.
(Com informações da Assessoria)

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