Há solução para a alta nos preços dos combustíveis?

As fontes limpas, que ainda engatinham em Mato Grosso como alternativa para os combustíveis fósseis no transporte público, já são uma realidade em Santa Catarina

Nesta semana, na última segunda-feira (21), foi inaugurado em Cuiabá o primeiro “eletroposto” da cidade, localizado na Av. do CPA, no estacionamento da FIEMT. Esse acontecimento não poderia ter passado longe da minha vista: há uma década trabalho auxiliando investidores na área de geração de energia limpa, que é aquela proveniente de fontes renováveis como água, ar, sol, lixo orgânico, entre outros.

As fontes limpas, que ainda engatinham no Brasil como alternativa para os combustíveis fósseis no transporte público, já começam, timidamente, a ser realidade em alguns Estados como Santa Catarina. Desde 2016, um ônibus 100% elétrico roda em Florianópolis. Em apenas um deles consegue-se uma economia de R$ 2 mil mensais em relação ao combustível tradicional, além de ser menos poluente. Outros Estados como São Paulo, Brasília, Paraná também possuem seus protótipos.

Ao mesmo tempo que essas soluções despontam no cenário, e sabemos da sua eficiência, o Brasil enfrenta uma greve de caminhoneiros justamente em função do aumento no preço dos combustíveis fósseis. O presidente Michel Temer, para tentar aplacar os ânimos, afirmou que vai “encontrar uma solução para a alta nos preços”. Mas existe uma solução?

Essa pergunta tem duas respostas: sim e não. Sim porque, no médio prazo, é possível criar uma política pública que permita a redução nesses valores através da adoção de combustíveis limpos, incentivos e infraestrutura. E não porque no curto prazo qualquer solução criaria necessariamente novos problemas, como o acordo firmado que vigerá por apenas 15 (quinze) dias.

A primeira grande questão nasce de um velho dilema brasileiro (e especialmente mato-grossense): a falta de infra-estrutura. Imaginem que conectar um único veículo na tomada para se abastecer pode não ser um grande problema. Mas no momento que colocarmos 1 milhão, o que representa somente 1% da frota nacional, já haveria um impacto em diversas áreas, sobretudo na geração de energia suficiente para tanto. Imaginem então toda a frota?! 

A solução para um problema tão atual, que gerou uma das greves mais impactantes dos últimos anos, leva tempo, mas existe. Políticas públicas de longo prazo, como mapear e instalar eletropostos nas cidades e rodovias; fomentar a indústria de veículos pequenos, de transporte público e de cargas movidos com eletricidade, assim como preparar o país com incentivos para geração de toda essa energia necessária. Lembrando que energia limpa é mais barata e inesgotável. A solução é demorada mas tem tudo para ser definitiva, pois possuímos os recursos naturais em abundância para tanto.

E não pensem que é utopia ou falta de realismo tal solução, visto que em vários países, principalmente na Europa a vendas de carros movidos a diesel caíram e, mais drasticamente, nos Estados Unidos. Cidades como Paris, Madri, Hamburgo, Atenas e Cidade do México também têm planos de banir veículos a diesel até 2025. As fabricantes também indicam que vão reduzir e até acabar com a oferta de versões a diesel, assim como as máquinas de datilografia, os telefones fixos e as máquinas fotográficas desapareceram do mercado!

Fabrina Ely Gouvea é advogada especialista nas áreas de energia e meio ambiente. 

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