Há quase 30 anos no mesmo bairro, idosa espera ver asfalto ainda em vida

Maria das Graças tem 73 anos e mora no Lagoa Azul, na região Sul de Cuiabá. Segundo ela, asfalto é promessa há quatro gestões

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Os ônibus do transporte coletivo deixaram de passar há mais de um ano no Bairro Lagoa Azul, na região Sul de Cuiabá. Segundo os moradores, os próprios motoristas pediram que a linha Espigão x Centro tivesse a rota alterada. O motivo seria a má condição das ruas, que são de terra.

Uma das moradoras mais antigas, Maria das Graças, de 73 anos, está no bairro há 30. Ela diz que, antes de morrer, espera ver algumas coisas acontecerem. Uma delas é o asfalto na rua em que mora.

Segundo a idosa, desde 1997 a pavimentação do bairro é promessa de políticos.

“Asfalto aqui é só promessa. O dinheiro dessa obra está no banco há muito tempo. Entra político, sai político a promessa é a mesma. Escuto sobre asfalto pra cá desde a época de Roberto França”, conta à reportagem, enquanto tira as roupas do varal.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Com o ar de conformismo, dona Maria deixa a atividade por um momento. Ela sabe que, apesar de ser contornado por um riacho, o bairro onde mora não tem os cenários paradisíacos do filme homônimo, que reprisava na Sessão da Tarde. “Em época de chuva, não passa nem moto, nem carro”, diz a idosa.

Ela mora a alguns metros das margens do riacho que corta o bairro. Saudosa, faz questão de contar da época em que “a mina de água ainda era cristalina”.

Alguns metros dali

Antes da entrada do Lagoa Azul, outro bairro tem realidade parecida. No Jardim Passaredo, as ruas também são de terra e, em alguma delas, o esgoto corre a céu aberto. Por lá, os moradores também esperam há mais de 20 anos pela pavimentação.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

A situação crítica é no período de chuvas, quando a lama toma as ruas. Na época da seca, a poeira é quem assume o cenário.

O autônomo Alisson Ferreira, 34, mora no bairro desde a época dos barracos de lona, quando a região foi “grilada”. Já se passaram 20 anos e, com a escritura das casas nas mãos, os moradores ainda esperam o asfalto chegar.

Se você procurar na internet consta que o Passaredo inteiro é asfaltado, mas não é. Aqui a gente convive com lama e esgoto porque nenhuma casa tem saneamento. A prefeitura só cascalha e mais nada”, afirma.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

No Passaredo, realmente apenas a Avenida Principal é asfaltada: ela liga o bairro à Avenida Fernando Corrêa. A Avenida 01, o nome burocrático, foi pavimentada em 2014 através do programa Novos Caminhos. À época, a prefeitura anunciou que outras cinco ruas também seriam asfaltadas.

“Ainda não concluímos essa pavimentação porque estamos no período de chuvas, mas em 15 dias, no máximo, concluiremos a avenida e começaremos as ruas adjacentes”, diz trecho de publicação no site da prefeitura, de abril de 2014. Entretanto, até hoje todas as “ruas adjacentes” são de terra.

Quando o asfalto vem?

Segundo a atual gestão, uma operação de crédito com o BNDES vai viabilizar a pavimentação no Jardim Passaredo, mas não informou a previsão para execução. “Neste momento, o município está finalizando os procedimentos administrativos”, explica.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

A licitação ainda será feita. Além do Jardim Passaredo, outras 19 comunidades vão receber a pavimentação. “Neste momento, o município está finalizando os procedimentos administrativos do financiamento e, posteriormente, realizará o processo licitatório”.

Mas nem tudo são flores. De acordo com a prefeitura, o projeto foi elaborado pela gestão passada. Por isso, devido aos critérios usados na época, apenas algumas ruas serão asfaltadas.

Terezinha, a presidente do bairro, comemora a vinda da tão sonhada obra. Para quem já fez força-tarefa com os vizinhos para cascalhar as ruas, o asfalto – mesmo em parte do bairro – é uma conquista. A líder comunitária não sabe quando as máquinas iniciam os trabalhos, só que virão em breve.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

“Foi o que disseram lá na secretária. Agora se é verdade vocês jornalistas é quem tem que ‘futucar’ lá”, sugere brincando.

Mesmo contemplado em parcelas, o Passaredo sairá no lucro. No Lagoa Azul – bairro vizinho, onde mora dona Maria das Graças – nenhuma das ruas será asfaltada. Segundo a prefeitura, ele não será contemplado com os recursos do atual financiamento.

Apesar disso, em nota, o Município afirmou que aguarda “disponibilidade de orçamento para avançar com esse benefício nessas comunidades que, na época, não foram atendidas por completo”.

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