Greve na Educação: pais começam a transferir alunos para a rede particular

Escolas particulares têm oferecido descontos; pais se desdobram para conseguir transferências

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A rotina semanal de trabalho de Ana Paula Pires Barboza, de 48 anos, mudou há uma semana, quando a greve dos professores da rede estadual de ensino de Mato Grosso completou 35 dias.

Além do trabalho diário, em horário comercial fora de casa, ela vai passar os finais de semana fazendo bolos sob encomenda. A intenção é conseguir uma renda extra que tem um destino bem específico: pagar a mensalidade da escola particular para onde transferiu sua filha.

Eduarda, de 11 anos, cursava o sexto ano do ensino fundamental na Escola Estadual José Garcia Neto, localizada em Várzea Grande. Durante a greve dos professores, acabou com a rotina alterada.

“Ela estava só dormindo e assistindo televisão. Achei que ela estava perdendo o ano”, afirma a mãe, justificando a decisão de trocar a filha de escola.

Ana Paula procurou a rede particular de ensino e conseguiu um desconto. E não foi a única, de acordo com a empresária que atua no transporte escolar Wellika Fernanda. Das 15 crianças que ela transporta, seis já mudaram de escola.

“Na região que eu atuo, tem três escolas estaduais que não estão em greve. Os pais procuraram vaga primeiro nelas. Quem não conseguiu, está indo para as escolas particulares, que resolveram dar descontos bem grandes”, diz a empresária.

As mudanças começaram a ocorrer na última segunda-feira (1º), quando em assembleia geral, o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintet) decidiu manter a paralisação das atividades, apesar da proposta do governo de suspender o corte dos salários dos grevistas.

“Foi quando a maioria [dos pais] viu que não ia ter acordo e que a greve não tem mesmo prazo para acabar”, revela Wellika.

Greve dos professores teve início no dia 27 de maio. Nesta segunda-feira (8), eles voltam a se reunir para decidir se a paralisação continua (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Prejuízo

A empresária conta ainda que os pais que ela atende e que não conseguiram vaga em escolas particulares ou que não aderiram à greve precisam tomar outra decisão envolvendo dinheiro: cancelar ou não o serviço de transporte escolar.

É que se o pagamento não for feito, a vaga da criança é repassada para outra. Assim, na volta às aulas – quando ela ocorrer –, o serviço não estará mais garantido. Wellika coloca essa previsão já no contrato, experiência de outras greves vividas por ela.

“Quem não faz isso, acaba saindo no prejuízo, porque tem pais que não querem pagar nesse período que não está tendo aula”, ela explica, dizendo que, até agora, ainda não perdeu nenhum cliente.

Motivos

Apesar de ser obrigada a transferir a filha de escola no meio do ano e de trabalhar a mais para bancar o gasto extra, Ana Paula sustenta não discordar da greve.

Com dois filhos mais velhos já formados em escolas públicas, ela afirma que a unidade onde a filha estudava tinha uma péssima estrutura.

“As crianças estavam em um pavilhão alugado”, conta a mãe, destacando que, por outro lado, o ensino e os profissionais eram bons. “Eu não culpo os professores. Eles estão certos em buscar os direitos deles”.

Entre as reivindicações, o Sintep pleiteou e o governo afirma ter apresentado um cronograma de reforma de aproximadamente 400 das mais de 700 escolas estaduais de Mato Grosso. Os profissionais lutam agora por um reajuste de 7,6% nos salários.

O governo do Estado alega não ter condições financeira – devido à crise econômica – e legais – por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – de atender a essa demanda.

Na tarde desta segunda-feira (8), os profissionais da Educação estão, mais uma vez, reunidos decidindo o que fazer a respeito.

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