Gran Torino

“Você não sabe nada sobre a vida e a morte”. É o que diz o protagonista Walter Kowalski a um jovem Padre logo no começo.

O filme, que começa com o velório da esposa, termina com o velório do marido. A história se passa entre esses dois importantes e derradeiros momentos.

Como eu mencionei em meu artigo anterior sobre o filme “Menina de Ouro”, há muitas similaridades entre os protagonistas vividos por Clint Eastwood. São personagens solitários, com dificuldades de se relacionar em família, com muitos arrependimentos e com dilemas religiosos católicos.

A esposa de Walt faz com que o Padre da paróquia local consiga uma confissão do seu marido, que não se confessava fazia muito tempo. O Padre levou muito a sério essa promessa e não “larga do seu pé” até que consiga.

Curiosamente, em ambos os filmes, os Padres são como conselheiros morais nas decisões mais importantes que os personagens têm que tomar. Por mais que fossem católicos afastados da Igreja, eles têm em alta conta os seus conselhos sacerdotais.

Além dessa questão moral e religiosa, chama a atenção em “Gran Torino” a relação masculina entre Walt e o seu pupilo Thao. Ficam bem retratadas as consequências em polos extremos da falta de uma referência masculina na vida de um jovem.

De um lado, temos as gangues, que são a expressão de violência e raiva de uma masculinidade doente. Do outro, Thao, que, sem força, se mostra omisso e passivo diante da vida.

Basta que Walt o ensine a consertar as coisas para que ele se torne mais confiante e confiável por estar sendo útil a algum propósito. O jovem muda sua postura e seu jeito de falar. Inclusive, há cenas bem engraçadas de “como se tornar homem”.

Nesses dois filmes entre os quais estou traçando um paralelo Clint Eastwood atua, mas também dirige. Não sei como o ator é na vida real, mas acho difícil não imaginá-lo como os seus personagens.

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