Governo quer aprovar ensino domiciliar em novembro. Saiba mais sobre o assunto

Homeschooling é um tema polêmico, mas tem 7,5 mil famílias adeptas no Brasil

Foto: (Ednilson Aguiar/ O Livre)

O governo federal pretende aprovar a modalidade de ensino chamada de Homeschooling até novembro deste ano. Significa dizer que os pais poderão ensinar os filhos em casa e as crianças estarão desobrigadas de ir à escola.

Pode até parecer uma novidade para o país, mas saiba que, mesmo não sendo regulamentada, a metodologia já tem muitos adeptos.

Conforme a Associação Nacional de Educação Domiciliar, 7,5 mil famílias adotaram a homeschooling no Brasil, o que abrange 15 mil estudantes de 4 a 17 anos.

Exemplos de outros países que aceitam o ensino domiciliar são usados como embasamento para os brasileiros.

Hoje, a homeschooling existe em mais de 60 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Equador, Colômbia, Portugal, Áustria, Bélgica, França, Itália, Suíça, Bulgária, Dinamarca, Finlândia, Rússia, Reino Unido, Israel, África do Sul, Japão, Filipinas, Cingapura, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

De acordo com a associação, além de desenvolver melhor o intelecto da criança, a modalidade deixa o estudante em um ambiente de aprendizagem seguro, longe do bullying e de situações perigosas.

A entidade inclui ainda as pessoas que optam pela modalidade por convicções religiosas e valores de família.

Especialistas

Diretor do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso, Silas Monteiro explica que o tema é bastante complicado, se levarmos em consideração a rotina e estrutura das famílias brasileiras.

“Será que todos os pais interessados dominam e sabem como ensinar geometria, biologia e demais ciências? Acho difícil.”

A falta de convivência dessas crianças com outras é um dos pontos questionados pelos críticos (Foto: Ilustrativa)

Outra questão retratada pelo profissional é a falta de tempo. Ele lembra que para ter sucesso em um trabalho destes, é preciso que o pai ou a mãe fique em casa o dia todo.

“As rotinas são apertadas. As pessoas precisam trabalhar, fazer os afazeres domésticos e ainda cuidar dos filhos. Será que haverá como assumir mais esta função?”.

Monteiro também relata questões relacionadas a execução da modalidade, como a metodologia, o livro didático e como serão avaliadas as crianças. Vale lembrar que até agora, a regulamentação não foi definida.

“Quando uma escola adota um livro didático, ele passou por avaliações de conteúdo e por uma série de especialistas. Não podemos usar qualquer coisa”.

Na opinião do professor, a homeshooling é mais uma tentativa da desregulamentação do sistema escolar. “Uma agressão ao sistema público de ensino”.

Monteiro acredita que esse projeto, caso aprovado, vai dar abertura para que o ensino seja tomado por fundamentos religiosos, mais distantes das ciências e mais próximos da ideologia.

Considera ainda a questão da socialização dos alunos. “É preciso conviver com o diferente e enfrentar as dificuldades de relacionamento. Caso contrário será um adulto despreparado”.

Educação domiciliar não é ilegal

Ministra Damares Alves disse que projeto deve estar regulamentado até 2020 (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A educação domiciliar não é proibida no Brasil, porém os pais podem ser acusados de negligência, uma vez que as crianças deixam de frequentar a escola, o que se torna evasão escolar.

Por este motivo, a busca de regulamentação não é nova e vários projetos foram apresentados desde 2001, mas sem sucesso.

Agora, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse em entrevista a Gazeta do Povo, que o projeto seria aprovado até novembro e no próximo ano, estaria regulamentado.

Na entrevista, a ministra diz que várias categorias, como o Itamaraty, estão requerendo a aprovação e que não vê problemas, uma vez que é realidade em outros países.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.