17 de abril de 2026 13:13
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Governo eleito avalia regionalizar imposto para combustíveis. Veja como funciona

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

As altas seguidas no preço dos combustíveis atormentaram os brasileiros por vários meses ao longo deste ano. O motivo, segundo especialistas, seria o atrelamento do preço ao dólar pela política de paridade internacional (PPI). O mercado ficou perturbado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e a cotação da moeda subiu; consequentemente, o litro nas bombas acompanhou. 

Uma alternativa cogitada pela equipe de transição do governo eleito é regionalizar o imposto para os combustíveis. O mestre em economia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fernando Henrique Dias, diz que a proposta passaria a limitar o preço do dólar a uma parte do combustível vendido em cada regional. 

“Basicamente, a Petrobrás iria mapear a quantidade de refinarias que existem no país e capacidade de produção de cada uma delas hoje. Depois, seria avaliado o quanto essa capacidade atenderia a demanda de cada região. O combustível só seria importado, então, para cobrir a parte que faltará. Isso faria com que os combustíveis tivessem preços diferentes em cada região, para mais ou para menos”, explica. 

A variação nos preços ocorreria pelo tamanho da dependência que cada região teria para conseguir atingir o volume de combustível para a população de veículos dos estados ao redor. Outro fator que precisaria ser considerado na composição do preço seria a distância das refinarias para cada estado. 

Segundo o economista, a regionalização não chegaria a ser uma medida oposta à PPI – de mercado do combustível aberto diretamente à variação do dólar -, mas formaria um colchão para reduzir o impacto das altas no bolso dos brasileiros. 

Prós e contras 

Fernando Henrique afirma que a proposta já vinha sendo debatida por economistas durante os meses de altas seguidas no preço da gasolina e do diesel. O ponto positivo é que a regionalização seria acompanhada por uma “conta de estabilização do dólar”. A partir de um valor da moeda, as altas não seriam acrescentadas ao preço dos combustíveis. 

“Sem a pressão do dólar, não haveria mais a preocupação dos preços subirem muito e rápido. E, uma vez que os impostos fossem regionalizados, abriria espaço para cada estado aplicar a alíquota que considerar viável para manter os preços baixos. A regionalização não dispensaria os procedimentos de congelamento do imposto, por exemplo”, comenta. 

No entanto, por outro lado, os estados passariam a arrecadar menos com o imposto sobre os combustíveis. Ou seja, para que a regionalização fosse aprovada dependeria de um acordo da maioria dos governadores sobre o assunto.  

A lei federal que equalizou a cobrança do ICMS sobre a gasolina e o diesel para todos os estados ainda é questionada pelos governos na Justiça. Eles alegam que a limitação tem feito a arrecadação cair e afetado os investimentos em serviços públicos.

Os acionistas da Petrobrás também perderiam no ganho que recebem hoje, na casa de bilhões nos últimos anos. Além de mudanças no Congresso, a proposta da regionalização precisaria passar pelos conselhos diretivos da Petrobrás. 

Conforme a Petrobrás, o Brasil produz em média 3,5 milhões de barris de petróleo por dia e consome 2,5 milhões.

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